Imóveis na praia podem ser bom investimento
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domingo, 08 de janeiro de 2006
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
À primeira vista, adquirir um imóvel na praia é um investimento em qualidade de vida que bem administrado também pode ser rentável. Isso dependerá muito da cidade, localização e infra-estrutura oferecidos aos veranistas na alta temporada. O dinheiro do aluguel obtido nesta época do ano, em certos casos, paga o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), a taxa condominial, as manutenções e a limpeza.
Entre novembro e fevereiro, os classificados de jornais ficam 'coalhados' de anúncios do tipo. O representante comercial aposentado Laércio Rodrigues de Moraes, por exemplo, é adepto dessa estratégia para custear o apartamento de um quarto que mantém em Balneário Camboriú, litoral de Santa Catarina. ''Metade das famílias que alugam são amigos e o restante é atraído pela propaganda'', revela. Com a aposentadoria e independência dos filhos, o imóvel ficou mais disponível nas férias de verão. Durante o ano, o apartamento é visitado pelo casal três a quatro vezes por, no máximo, 10 dias a cada viagem.
Assim como ele, a funcionária pública aposentada Nadir Jussara de Oliveira e o marido também não firmam contrato com os inquilinos de temporada. O pagamento é adiantado e o prazo de permanência combinado entre as partes. Os proprietários não costumam exigir uma garantia para eventuais prejuízos. Tudo é feito na base da confiança. ''Apenas uma vez houve atraso na saída de uma família que atrapalhou a chegada de outra. É raro ocorrer algum problema porque o negócio é feito cara a cara'', alegou Moraes.
O ex-comerciante Antonio Carlos Cotrim não conta com os veranistas para pagar as despesas dos apartamentos que possui em Caiobá e Guaratuba (litoral paranaense). Segundo ele, o custo é baixo comparado à possibilidade de utilizar o imóvel a qualquer época. ''Quando aparece alguém interessado e não pretendo usá-los, eu alugo'', afirmou. Cotrim gasta R$ 300,00 com taxa condominial, água e luz dos imóveis que consomem mais R$ 700,00 de IPTU. ''Comprei porque apareceu uma boa oportunidade, mas não acredito que imóveis sejam o melhor investimento. Prefiro algo cuja rentabilidade é mais rápida''.
A distância de quase 600 quilômetros entre Londrina e a praia mais próxima talvez seja o principal motivo da falta de produto nas imobiliárias locais. Segundo a corretora Amélia Matsumoto da Silva, da Raul Fulgêncio Negócios Imobiliários, é muito raro aparecer alguém oferecendo ou procurando imóveis no litoral para compra.
O corretor Marcelo Aguiar, da imobiliária Mill, acredita que o baixo poder aquisitivo da população é outro fator que inibe a comercialização desse produto no interior. ''As pessoas que têm essa condição representam apenas 5% dos cidadãos'', supõe.
Para o economista Renato Pianowski, uma solução seria a aquisição compartilhada entre duas ou mais pessoas. Dessa forma, ambos aproveitariam o imóvel com gasto menor. ''Mas, é claro, que isso exigirá um bom relacionamento entre os sócios'', advertiu.


