Imóveis em madeira valorizam estilo de vida
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domingo, 23 de novembro de 2003
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Valorizar o estilo de vida, intensificar o contato com a natureza e morar como se estivesse vivendo no campo foram alguns dos motivos que levaram o produtor e artesão, Poka Marques, a construir uma casa de 420 metros quadrados de madeira reciclada, na área urbana de Londrina. ''A casa me traz ótimas lembranças das residências nos sítios. A madeira humaniza a construção'', considera Marques.
Para a edificação do imóvel, Marques comprou uma tulha (celeiro) de café, demoliu a construção e reciclou tudo. Ele que já produz móveis de madeira, diz que ''uniu o útil ao agradável'', construindo uma casa bastante confortável. ''Sou apaixonado por madeira, minha casa é o meu portifólio e agora o meu local de trabalho'', enfatiza o artesão.
O caso de Marques, no entanto, é fato isolado no cenário moderno da cidade. O sistema de construção em madeira, que foi muito utilizado em meados do século passado, perdeu espaço com o passar dos anos e deu lugar aos imóveis de alvenaria. Hoje em dia, é pouco comum alguém optar por construir uma casa de madeira a não ser na zona rural. A mudança, como argumenta o professor do departamento de arquitetura da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Ricardo Dias Silva, se deve em partes pela falta de domínio tecnológico para esse tipo de construção e à falta de matéria-prima.
''Poucos arquitetos estão aptos a projetar um imóvel neste sistema construtivo. A casa de madeira exige um detalhamento maior'', afirma o professor. Ele acrescenta que somente nos últimos anos as instituições acadêmicas começaram a aplicar disciplinas que tratam do uso da madeira para a construção civil. Silva faz parte do Laboratório de Tecnologia de Arquitetura (LATA) que tem como objetivo desenvolver métodos que valorizem o uso da madeira em sistemas construtivos.
No que diz respeito à matéria-prima, a madeira mais usada para a construção de imóveis era a peroba-rosa, abundante na região norte do Estado. Nos últimos anos, no entanto, passou a ser utilizada madeira de reflorestamento, com destaque para o pinho e o eucaliptus. De acordo com Silva, o Paraná se destaca por contar com a segunda maior área do País disponível para reflorestamento.
O professor destaca ainda que se a questão da tecnologia for reavaliada muitos problemas serão resolvidos, principalmente no que diz respeito ao preconceito que envolve as residências de madeira. Muitas pessoas, segundo o professor, argumentam que esse tipo de construção tem pouco desempenho em relação ao isolamento acústico e térmico. Antes, as casas eram feitas com ''ripas'' de madeiras de apenas dois centímetros de espessura, o que pode justificar a falta de conforto. ''Com bom desempenho tecnológico a gente pode desenvolver mecanismos que aumente esse isolamento'', esclarece Silva.


