Imóveis de SP aderem à reciclagem de água
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sábado, 02 de junho de 2007
Rodrigo Brancatelli<br> Agência Estado 
São Paulo - A água da chuva, depois de tratada, pode ir parar nas torneiras. Já a água que escorre pelo ralo da pia pode ser utilizada nas descargas dos banheiros. A da descarga, por sua vez, vai para a irrigação do jardim. E se sobrar alguns litros, nem que seja o suficiente para encher uma garrafa de refrigerante, já dá para manter o sistema de ar-condicionado funcionando por um dia inteirinho. Reportagem publicada recentemente pelo jornal ''O Estado de S. Paulo'' mostrou que 34% da água produzida pela Sabesp simplesmente se perde por problemas na rede e por ligações clandestinas. Na tentativa de reduzir um pouco a discrepância entre oferta e procura, centros de pesquisa e arquitetos estão criando projetos para racionalizar os recursos hídricos e reutilizar a água das residências e escritórios da cidade.
''São Paulo consome 70 metros cúbicos de água por segundo, quase uma piscina olímpica'', diz o engenheiro ambiental Ivanildo Hespanhol, diretor do Centro Internacional de Referência em Reúso de Água (Cirra), entidade vinculada à Universidade de São Paulo. ''Só 25% desse volume é usado para fins potáveis. O potencial de reuso é enorme.''
Segundo estudos do Cirra, condomínios podem economizar até 40% na conta de água apenas com a instalação de sistemas que captam a água usada nas torneiras para abastecer as válvulas de descarga. ''O princípio pode ser usado na indústria, criando uma fonte barata para abastecer torres de resfriamento ou lavar pisos'', diz Hespanhol. ''Falta só o incentivo do governo.''
Legislação - Lei para isso já existe. O Programa Municipal de Conservação e Uso Racional da Água determina que todos os imóveis paulistanos criem alternativas para diminuir o desperdício até 2015. Entre as adaptações, estão o uso de equipamentos para economia de água e uso de fontes alternativas (como a captação da chuva).
Essas determinações podem parecer uma realidade distante para a maioria dos paulistanos, mas não para o técnico hidráulico Edison Urbano, de 48 anos. Em 2003, depois de perder o emprego, ele começou a quebrar a cabeça para achar uma solução criativa e tentar diminuir o valor das contas da sua casa, no Ipiranga, zona sul da capital paulista. ''Somos em quatro pessoas. Fiz uma conta rápida e percebi que usávamos 6 mil litros por mês somente nas descargas dos banheiros.'' Urbano se trancou no escritório e só saiu quando criou um sistema - meio que improvisado - para tratar a água dos ralos do banheiro e reutilizá-la nas válvulas da descarga. A conta ficou 30% menor.
Alto padrão - Os empreendimentos de alto padrão também já estão se adequando. Situado na Avenida Luís Carlos Berrini, na zona sul de São Paulo, o condomínio empresarial Rochaverá investiu R$ 600 milhões para ser o primeiro da América do Sul a receber o certificado Green Building, selo de qualidade ambiental. O lançamento está previsto para setembro. Além do uso de material reciclado na obra, o prédio terá um sistema que capta a água da chuva para usar na irrigação dos jardins.
O Eldorado Business Tower, em construção na Marginal Pinheiros, vai contar até com miniestação de tratamento para reaproveitar a água das torneiras. ''Apesar dessas alternativas estarem engatinhando por aqui, elas fazem parte de uma tendência mundial'', afirma a arquiteta Cristiane Mattos. ''A tecnologia está deixando os condomínios ecologicamente corretos.''


