Imobiliaristas esperam incremento de 50%
Em equilíbrioOtávio Scandelae: Os preços estão negociados. Houve uma adequação de custos para o mercado.A expectativa do setor imobiliário paranaense para este primeiro trimestre, em relação aos últimos três meses de 97, é de um incremento de 50% no volume de locações. Pesquisa mensal realizada pela Apadi-Associação Parananense das Administradoras de Imóveis, que acompanha as oscilações de oferta, locações e preços do mercado na capital e em cidades-pólo do Estado, aponta a readequação de preços e a retomada da auto-regimentação do setor como principais fatores.
Dados da análise da Apadi mostram que a oferta cresceu cerca de 10% de janeiro a dezembro de 97 e que os imóveis residenciais foram os que obtiveram melhores índices de negociação de preços. Representantes do setor apostam no reaquecimento da economia - que proporciona a procura - e em recursos para investimentos - que leva ao consequente aumento de oferta - como pontos fundamentais para o equilíbrio do mercado de locações: oferta x preço x procura.
Adequação de custos O que está acontecendo é que os preços hoje estão sendo melhor negociados entre proprietários e inquilinos. Não houve redução e sim uma adequação de mercado, argumenta o imobiliarista londrinense Otávio Scandelae, conselheiro da Apadi na região Norte. Ele explica: O Plano Real atualizou, dentro de parâmetros legais, o valor de locação correspondente a 1% do valor de venda do imóvel. Ou seja, um apartamento cujo valor fosse de R$ 75 mil teria o preço de locação, automaticamente, estabelecido em R$ 750,00. Ficou totalmente fora, muito acima dos antigos valores praticados, que correspondiam a um percentual de 0,2%. E, em contrapartida, os salários e rendimentos foram achatados, reduzidos ou mantiveram-se estáveis. Conclusão, disponibilizou-se para o mercado um número elevado de oferta.
Hoje, continua Scandelae, trabalha-se em percentuais médios equivalentes 0,6%, mas dependendo das características do imóvel, como a localização e conservação, estes percentuais podem variar entre 0,4% (como mínimo) e 0,8% (considerado agora como o ideal). Estes valores, segundo ele, mantêm a oferta e também melhores condições para a negociação trazendo a consequente retomada de equilíbrio para o mercado. Além disso, medidas como os novos sistemas de financiamento - SFI, as novidades do SFH e o incremento no sistema de condomínios e cooperativas habitacionais - possibilitarão uma maior demanda de negócios. É o que chamamos de retomada de mercado por auto-regimentação.
Evolução da procura Ajustes e sazionalidade são pontos que somam para alavancar o mercado neste primeiro trimestre. Em função do ano escolar, basicamente pelo início das atividades universitárias, quando aumenta significativamente a procura por apartamentos e residências de um e dois quartos, quitinetes e dependências de alvenaria bem localizadas, as cidades de Londrina e Curitiba estão praticamente com seus estoques zerados nestes itens.
Dados mais recentes da pesquisa realizada pela Apadi em Curitiba (29 de janeiro) mostram também que a região central das cidades é a preferida deste segmento imobiliário. Na capital, 23,6% das ofertas de imóveis para locação foram registradas no centro da cidade. Em Londrina outros dois fatores contam pontos na hora de alugar um imóvel: moradia que possibilite a tomada de apenas um ônibus para se chegar ao local de trabalho ou escola, e piso frio (madeira, laminado ou pedra).
Evolução da oferta Na contramão estão os imóveis comerciais. A oferta tem crescido mais que a procura, principalmente para espaços definidos como barracão. Em Londrina, por exemplo, houve um aumento de 110% na oferta deste tipo de imóvel nos dois últimos meses de 97. O único que apresentou crescimento no volume de locação foi a casa. Em novembro 32,84% das unidades oferecidas foram locadas e com preços negociados a menor.
Em busca de locatários, os proprietários de barracões comerciais de Curitiba também estão readequando os preços dos aluguéis. Apresentando um crescimento de oferta (5,4%) os novos valores apresentados no primeiro mês do ano, registraram, em média, custos 23% mais baixos.





