Imobiliárias oferecem substitutos para fiadores
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domingo, 18 de dezembro de 2005
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
Numa cidade como Londrina onde o setor de serviços é um dos pilares da economia o mercado imobiliário é um termômetro útil na avaliação do desenvolvimento local. Conhecida como importante pólo de ensino superior e atendimento médico, ela recebe, anualmente, dezenas de novos moradores. Um dos primeiros problemas que esse grupo enfrenta é a apresentação de fiador na locação de um imóvel.
Para não perder clientes ou sofrer prejuízos, as imobiliárias sugerem diferentes alternativas aos candidatos. Na Nestor Correia, por exemplo, a proposta é o seguro-fiança que corresponde ao acréscimo de 15% sobre o valor do aluguel todos os meses. ''É um expediente pouco aceito porque, no final das contas, é muito caro. Por isso, a maioria dos nossos clientes oferece um fiador, que não precisa, necessariamente, morar aqui'', disse Andréia Cristina Barioni, do departamento administrativo.
Outra prática ainda utilizada é o cheque caução. Na Mill Empreendimentos, ele equivale a cinco meses do valor do aluguel, depositados em caderneta de poupança e devolvidos ao locatário no final do contrato. ''O problema é que alguns proprietários não aceitam esse depósito como garantia'', disse a corretora de imóveis Adair Montes ao lembrar que no caso de estudantes de outras cidades são exigidos, no mínimo, dois fiadores. ''Outro dia, alugamos um apartamento para cinco rapazes que assinaram como locatários e dois pais foram os fiadores'', exemplificou.
Normalmente, é requisitado ao fiador a propriedade de um imóvel sobre o qual não exista qualquer ônus, comprovantes de renda e endereço, certidões negativas de cartórios de protestos e forenses mais os documentos pessoais.
Segundo Marli Aparecida dos Santos Custódio, corretora de imóveis da imobiliária Natal, a população de baixa renda têm mais dificuldade para encontrar um fiador. ''Alguns não conhecem uma pessoa que atenda as exigências e outros não querem pedir favor porque sabem o tamanho da responsabilidade'', comentou. Como substituto a essa figura, a empresa sugere ao cliente a aquisição de um título de capitalização equivalente a seis meses do valor do aluguel. ''A vantagem é que ao final do contrato, ou mesmo antes, o locatário adimplente receberá o valor aplicado com as devidas correções monetárias. Nossa garantia é que o resgate nunca será feito sem a anuência da imobiliária, ou seja, contas pagas e vistoria em dia'', explicou.
O ajustamento da carteira de imóveis ao mercado local facilitou a rigorosidade na seleção de clientes da Abílio Medeiros Imóveis. Segundo a corretora Bárbara Medeiros, o fiador precisa comprovar, além da propriedade de um imóvel livre de ônus, uma renda mensal de três vezes o valor do aluguel. ''Fazemos parte de uma associação nacional de imobiliárias com as quais trocamos informações constantemente. Para reservar um imóvel, o candidato precisa deixar um cheque no valor do aluguel enquanto averiguamos seu cadastro. Esse processo de investigação leva cerca de três dias e, caso aprovado, ele pagará o segundo aluguel daí a dois meses'', detalhou a corretora.


