Algumas técnicas de pintura especial são recursos usados há séculos para chamar a atenção para as paredes. O trompe-l’oeil, por exemplo, desenvolveu-se na época do Renascimento, quando as formas humanas passaram a ser retratadas em pinturas e esculturas. Utilizando a mesma técnica dos afrescos, a pintura era feita, originalmente, com tinta óleo. Hoje em dia, para facilitar, muitos artistas utilizam a técnica mista: começam o trabalho com tinta acrílica e apenas finalizam com a tinta óleo.
O trompe-l’oeil é usado para criar uma ilusão, uma sensação de realidade em quem está observando. Colunas, portas, janelas, molduras parecem reais à primeira vista, mas não passam de uma pintura. Uma obra de arte na parede. ‘‘Esta técnica permite que se traga uma imagem de fora para dentro de casa, dando, inclusive, a sensação de movimento. É a linguagem das telas transportada para a parede’’, define a arquiteta Marília Arruda Marques.
Comum nos antigos palacetes, o trompe-l’oeil requer ambientes clássicos. ‘‘Mais recentemente a técnica passou a ser utilizada também em móveis, para criar a ilusão de entalhes onde na verdade não existem’’, explica Julio Cesar Gonçalves, do Bureau de Estilo, em Londrina. Ele lembra que já existem no mercado, inclusive, tintas que dão efeito de antigo aos trabalhos. ‘‘É possível reproduzir, por exemplo, os craquelados presentes nos afrescos de Michelângelo ou a aparência desgastada de um trabalho feito muito tempo atrás.’’ Segundo Julio Cesar, as pinturas especiais vêm sendo muito usadas também em ambientes comerciais, como forma de valorizar a decoração do local. (S. L.)

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