Hotel visa atingir público diferenciado
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sábado, 08 de setembro de 2001
Ligia Barroso 
Onze andares, projetados em edificação localizada em área estratégica, e 88 unidades especialmente preparadas para receber um hóspede especial e diferenciado: familiares e pacientes que residem em municípios distantes de Londrina e que têm que ficar na cidade em razão das consultas periódicas, exames especializados de diagnósticos, tratamentos intensivos e/ou intervenções cirúrgicas.
Ainda sem definição de nome, e também sem similar de produto específico no mercado imobiliário paranaense, o hotel que está com obras iniciadas há um mês fica em terrenos que ocupam área de 2,3 mil metros quadrados entre as ruas Borba Gato (frente) e Paes Leme - quase esquina com a Avenida Bandeirantes, e não muito distante da Rua Souza Naves. Ou seja, em região da cidade que concentra o maior volume de consultórios, clínicas médicas, laboratórios e centros de diagnósticos e hospitais.
Com estudos de viabilidades técnicas de implantação e projeto arquitetônico de edificação realizados pelo escritório dos arquitetos Pedro Palma e André Silvestre, a obra orçada em aproximadamente R$ 4,5 milhões, e que está sendo executada pela Construblok (Londrina), é resultado de pesquisas, estudos para o desenvolvimento das aplicações e investimentos financeiros, e avaliação de mercado e demanda, também realizados pelo diretor da construtora, engenheiro Carlos Antonio Vaz.
A idéia para o novo produto surgiu há mais de dois anos e foi, ao longo deste tempo, minuciosamente desenvolvida pela mesma equipe de trabalho que executou os projetos da Cidade Universitária (ao lado da UEL) e do Twin Towers, o primeiro edifício comercial construído (e a ficar pronto) com o conceito de 'prédio inteligente' em Londrina. ''Assim como no anterior, também neste empreendimento agregamos valores que o conceituam como um novo produto'', diz o diretor da empresa.
Carlos Vaz argumenta que com a evolução de mercados e necessidades cada vez maiores de rentabilidade e segurança para o investidor do setor imobiliário, a construção civil não pode mais 'vender' apenas pelo quanto vale o metro quadrado construído. ''Para viabilizar um novo produto, abrir novos nichos para comercialização e incrementar os ganhos para o investidor, é preciso agregar, além das inovações tecnológicas em sistemas construtivos e serviços, diferenciais que resultem em valores que se tornam mensuráveis a médio ou longo prazos. Neste caso, por exemplo, o hotel tornou-se um 'novo produto' porque foi agregado à obra um 'novo conceito' para a rede hoteleira londrinense: o atendimento em hospedagem para um público específico e em local apropriado,'' conclui Vaz.
Oitenta e oito unidades (11 por pavimento de hospedagem, com 26 m2 de área) porque, com 70 inviabilizaria economicamente o projeto e ficaria mais difícil buscar um investidor; e não poderia passar de 90 porque este número, ultrapassaria o volume médio/mês em leitos médico-cirúrgicos dos cinco hospitais mais próximos ao hotel (Evangélico, Mater Dei, Infantil, Hospital da Mulher e Santa Casa), ocupados por pacientes de outros municípios.
''Por isso, desde abril de 99 quando definimos o produto, fomos desenvolvendo projetos que viabilizassem todos os setores do empreendimento do arquitetônico, dos sistemas e técnicas de construção, acabamento e oferta de serviços, até o valor (aproximado) da diária e seu percentual de rentabilidade neste caso, uma projeção equivalente a 1,7% mês''. A avaliação é do arquiteto Pedro Palma, responsável pelo projeto e também por toda a coordenação para a compatibilização técnica da obra.
Segundo Palma, não foi por acaso que as etapas foram sendo vencidas. A atual perspectiva (ilustração) e o projeto de interiores, representam a 22 versão. Na planta definitiva, com área total construída em 5,9 mil m2, algumas novidades no emprego de tecnologia e produtos da indústria da construção civil: pavimentos em lajes protendidas em vão livre de 8,5 metros lineares, reduzindo a carga da obra para ganhos em custos de fundação, e aumentando a versatilidade para a distribuição interna; sistema Shaft em todas as tubulações para distribuição das redes hidráulica, elétrica, automação e de telefonia, possibilitando o fácil acesso para serviços de manutenção em cada um dos andares; e banheiros de tecnologia italiana que chegam prontos para serem 'encaixados' na estrutura da obra.
Para servir também a um outro público diferenciado, o portador de deficiências e necessidades especiais, que normalmente encontra dificuldades na unidade de hospedagem na hora do lanche no quarto, banho e circulação, outras medidas foram providenciadas para o conforto e a segurança deste cliente. ''As bancadas da pia e do quarto têm mobilidade para ajuste na altura desejada; o espaço entre camas e paredes é suficiente para uma cadeira de rodas; os interruptores são instalados mais baixos que a altura convencional; as portas são mais largas; o elevador disponibiliza espaço para macas, conforme determina legislação internacional da hotelaria mundial; e ainda alarmes sensoriais em todos os quartos, com monitoramento na recepção, para acionar ajuda rápida em emergências.
Com investimento total do custo da obra realizado por uma família londrinense, o hotel tem ainda amplo espaço para o lazer dos hóspedes: piscina, sala de ginástica e de jogos, sauna, restaurante de serviço express e pequenos auditórios ''que servem para atender a nossa terceira opção de clientela: os representantes de laboratórios que ficam hospedados por um dia ou dois, para as visitas periódicas a todos os consultórios médicos da cidade'', finaliza o arquiteto Pedro Palma.


