Hotel super luxo aposta na exclusividade
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de dezembro de 2004
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Oferecer produtos diferenciados, exclusivos e de primeira qualidade. São nessas características que o mais novo hotel da Capital, o recém-inaugurado Crowne Plaza Curitiba, aposta para conquistar uma fatia do já saturado mercado de hotéis na categoria luxo e superluxo. A inovação começa pelo formato do imóvel, que une o novo e o antigo em um mesmo espaço. Enquanto o prédio principal, com 8 mil metros quadrados, traz o que há de mais moderno em hotelaria, ao fundo, a casa onde morou o escritor, compositor e desenhista paranaense Augusto Stresser remete ao passado. Construída em 1914, a casa foi totalmente restaurada, em um trabalho que envolveu quase dois anos de pesquisas, para a descoberta de cada detalhe, como a cor original das paredes, reproduzidas com fidelidade.
Unindo as duas construções, outro diferencial. Ali um jardim coberto, com um grande deck de madeira abriga um segundo restaurante, alternativa ao principal, com capacidade para 110 pessoas, localizado no mezanino do hotel.
A restauração da Casa Augusto Stresser coube ao arquiteto Maurício Pinheiro Lima, que assina também toda a decoração do hotel. Essa, aliás, é mais uma ousadia do empresário Julcemar Casa, dono da Nova Itália Empreendimentos Imobiliários, construtora sediada em Pato Branco (sudoeste do Paraná). Casa decidiu prestigiar a população de sua cidade natal, gerando empregos e rendas para a região. Assim, boa parte dos R$ 20 milhões investidos no hotel, movimentou a economia de Pato Branco.
Durante um ano e meio, o arquiteto transformou os dois subsolos do prédio em uma marcenaria. Ali, ele desenhou mais de 90% de todos os móveis do hotel e 12 marceneiros, vindos de Pato Branco executaram cada uma das peças. Todos os estofados, pisos, cortinas, toalhas, roupões, material impresso e muitas outras peças contaram com mão-de-obra do município. O objetivo do proprietário era mostrar que a cidade tem potencial para levantar um hotel cinco estrelas superluxo na capital.
De acordo com o arquiteto, uma de suas preocupações foi a procura de matéria-prima sofisticada e de uma linguagem universal. Com conceitos trazidos de feiras de designs de Nova York, ele inaugurou na Capital o que ele chama de ''Hotel Boutique'', ou seja, uma vitrine para novas tendências, materiais e designs.
Um exemplo de exclusividade e qualidade é o granito cinza esverdeado, usado no piso do lobby. Lima conta que, à procura de um granito que combinasse com a decoração, foi ao Espírito Santo e escolheu o material junto às jazidas daquele Estado. Foram comprados 3 mil metros com 1,20 metro de largura do material, que pode ser visto no buffet, no piso e paredes do lobby, nos banheiros e nas mesas dos quartos. O produto foi vendido com exclusividade nacional de 10 anos para o hotel, o que significa que ele não poderá ser vendido dentro do Brasil por 10 anos.


