Proprietários de hotéis de várias cidades do País, entre elas Curitiba, decidiram abrir fogo contra os administradores de flats e apart-hotéis. Eles acusam o setor de ser privilegiado com o pagamento de menos impostos do que os cobrados da rede hoteleira e, consequentemente, estar ''roubando'' a clientela de forma desigual.
A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) afirma que o problema é mais grave nas cidades de São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Goiânia, Fortaleza e Belo Horizonte, onde foram construídos flats em excesso, ''deturpando o mercado dos hotéis''. De acordo com o presidente da ABIH, Herculano Iglesias, o problema é que os flats que foram criados originalmente para serem residências estão trabalhando como hotéis, aceitando clientes no sistema de diárias, com a diferença que não têm que pagar tributos, uma vez que estes são enquadrados na lei do inquilinato e não como rede hoteleira.
''Eles pagam água e luz como residências e alguns são isentos de IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano)'', diz Iglesias. Levantamento realizado em São Paulo, segundo ele, mostrou que um hotel de 130 apartamentos chega a ter um custo anual de R$ 300 mil a mais do que um flat em função destes benefícios. ''É um custo considerável e não conseguimos concorrer'', dispara.
''Eu não vejo uma guerra entre flats e hotéis. O que acontece é que os flats estão pegando parte do público, o que é normal, mas não é porque têm mais benefícios tributários, porque nós pagamos impostos, sim'', rebate o engenheiro Renato Volpi, da Volpi Junior Engenharia. Sua empresa é responsável pela construção dos flats da rede Parthenon em Curitiba, que conta com duas unidades, o Parthenon Aspen Residence, no Centro, e Parthenon Val D'Iseri Residence, no bairro Champagnat.
Ele garante que todos os cinco flats da rede Parthenon do País pagam Impostos Sobre Serviços (ISS), uma vez que prestam serviços de hospedagem. Ele admite, no entanto, que os flats seguem a lei do inquilinato e, portanto, pagam IPTU diferenciado e tarifas residenciais de água e luz. '' Mas acho que isso pode até sair mais caro já que cada apartamento tem seu próprio medidor'', diz. É que neste sistema, ao contrário dos hotéis, os flats não têm opção de fechar parte de suas instalações e economizar com luz em épocas de baixa ocupação.
O presidente da Seção Paraná da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-PR) calcula que há dez anos, desde que os flats entraram no mercado, o movimento nos hotéis começou a cair. A situação piorou a partir de 1997 com o ingresso de redes internacionais hoteleiras na cidade. ''Curitiba está crescendo com um perfil favorável principalmente para o turismo de negócios, mas a demanda ainda não cresceu o bastante para absorver toda a oferta existente'', diz Hercilio Struck, presidente da ABIH-PR.
Hoje, segundo ele, Curitiba tem 12 mil leitos contra 8 mil em 1996. Nessa situação, a taxa de ocupação nos hotéis vem caindo ano a ano. De 65% em 1999 passou para 60% no ano passado e a previsão é fechar 2001 com ocupação média de 40% a 50%, com picos de 70%.
O preço entre um flat ou um hotel de mesma categoria são semelhantes. ''O que muda é a administração interna'', diz Struck, que acredita que o hotel oferece serviço mais qualificado. O custo em um apart-hotel, no entanto, pode ficar mais barato, já que em muitos flats há flexibilidade de acomodação de maior número de pessoas, além do hóspede ter a opção de preparar refeições leves no próprio apartamento.

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