Logo ali, quem diria? Tom Jobim e Vinícius de Moraes lado a lado, dando o ar da bossa nova ao caos urbano e deixando mais poética a vida diária. Mais à frente, bem pertinho, a musicalidade fica sob a responsabilidade de Djavan, com a memorável Flor de Lis. Um pouco mais longe, na área nobre, Luiz Melodia também tem o dever de combinar os sons da música aos do progresso da metropóle. E lá está, imponente, Pérola Negra cantando Londrina te amo.
Só música e poesia? Não. Artistas plásticos e arquitetos também dão um toque cultural à cidade e circulam pertinho um do outro. Joan Miró, Gaudí, Cezanne, Monet, Portinari, o impressionista Van Gogh e Le Corbusier fazem companhia ao conterrâneo Vilanova Artigas, Rivera, Matisse, Marc Chagall e ao audacioso Picasso.
Os barões não poderiam faltar. E lá estão eles, de Antonina, do Grajaú, de Tefé, do Cerro Azul, do Catuaí, do Rio Branco e tantos outros ilustres. Seria uma reunião de famosos? Talvez. No plano vertical de Londrina pode-se dar a volta ao mundo dos mais célebres personagens da história.
E, quando menos se espera, o inevitável acontece: o desembarque é no Campos Elíseos, que está no mesmo trajeto de Foz do Iguaçu, não muito distante da Costa do Marfim, cuja rua desemboca no Sunset Boulevard. No caminho, a parada pode ser à frente do Mediterrâneo ou do cinematográfico Casablanca.
Mais do que um simples registro, os nomes dos edifícios em Londrina servem como uma referência de localização aos moradores. Os londrinenses ''culturalmente'' não dão como endereços de suas residências o nome das ruas ou do bairro. Eles fazem a localização através dos nomes dos edifícios. ''É uma característica das pessoas daqui'', avaliou Célia Catussi, diretora regional da construtora Plaenge.
Os nomes dos condomínios, por sua vez, são bastante variados e vão desde alusão a plantas e árvores, homenagens a personalidades da cidade ou grandes artistas nacionais e internacionais, incluindo barões, pintores, escultores, cantores, poetas, seguindo por menções a lugares turísticos ou simples referência física ao local onde o empreendimentos será instalado.
A construtora Plaenge, por exemplo, optou por homenagear artistas plásticos nos seus últimos lançamentos, todos na Gleba Palhano. ''Escolhemos determinados artistas não porque faríamos na construção uma alusão à sua obra. É apenas uma homenagem'', disse Célia. Os nomes, segundo ela, principalmente os franceses, dão glamour aos empreendimentos e ajudam a empresa a vender o imóvel.
Personagens importantes da cidade, como o arquiteto Vilanova Artigas, autor do projeto do Museu de Arte de Londrina (antiga Rodoviária), e um dos pioneiros do município, Filadélfo Garcia, também batizam os empreendimentos da empresa.
Já a construtora A.Yoshi, escolhe criteriosamente os nomes dos condomínios basicamente pela localização do empreendimento. Por exemplo o condomínio Terraço Alto do Araxá, localizado exatamente no bairro que tem esse mesmo nome. ''Lá tem uma vista bonita e estamos ligando o nome à região onde o empreendimento será construído'', justificou Leonardo Yoshii.
A empresa, no entanto, também batiza outros empreendimentos com nomes glamurosos. O edifício Renaissance, que significa renascimento, recebeu esse registro porque na época do seu lançamento era tendência colocar nomes franceses nos condomínios. ''O nome é bonito, soa bem e com certeza ajuda a vender os apartamentos. Mas ao contrário do que possa parecer, a arquitetura não lembra em nada o período do renascimento. É um trabalho bem moderno'', destacou Yoshii.

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