Homem também gosta de aconchego no seu canto
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de julho de 2001
Célia Baroni De Londrina 
Sobriedade e leveza; praticidade e aconchego; conforto e sensibilidade. Diz que HQEH (Homem Que É Homem, segundo o cronista Luiz Fernando Veríssimo) não liga para estas coisas.
Mas talvez, na sua crônica, ele esteja se referindo aos HQEH rústicos, daqueles que gostam do chão árido e duro para dormir e semanas sem banho no lombo de um cavalo. Para os outros HQEH, um quarto agradável com todos os acessórios, inclusive uma cama legal e transada faz mais o perfil masculino moderno.
Questões de gosto à parte, o quarto de um homem maduro exige a dose exata das qualidades citadas acima. Sem exageros. O equilíbrio entre objetividade e sensibilidade.
Ao contrário da mulher, o homem precisa de um ambiente leve na quantidade e com funcionalidade máxima nos móveis. Como nós, porém, eles também precisam se sentir envolvidos, protegidos e cuidados, embora nem sempre admitam, explicam as arquitetas Adriana Zanardi e Vilma Okano.
No quarto do rapaz, ambiente criado por elas na 6ª Mostra de Decoração e & Interiores de Londrina (MD&I), elas traduzem o perfil do homem atual. O sucesso sem ostentação está expresso nos poucos móveis de exelente qualidade e bem projetados.
O armário divide espaço com uma estante de portas retráteis. Dentro dela, um equipamento de televisão e som adequados para o espaço do ambiente surgem sempre que requisitados.
Em nenhum momento há ostentação do poder financeiro. Uma cama com colchão flexível e motorizado é a exceção. Mas mais que poder, mostra o perfil de uma pessoa bem humorada que não abre mão do conforto e, porque não, da folga que a tecnologia pode proporcionar.
Além deles, apenas uma mesinha de apoio para a poltrona e o puff ocupam espaço, deixando uma circulação particularmente ampla para o tamanho do quarto. Ficamos contentes justamente porque o quarto permitiu um projeto mais próximo da realidade, mostrando que ter um ambiente agradável é acessível, explicam as arquitetas.
Um apoio estreito feito em imbuia forma nichos em torno da cama, substituindo o criado mudo e separando o espaço para dormir do de estar dentro do quarto. Além de prática, a solução encontrada pelas arquitetas permitiu o aproveitamanto máximo da área sem poluição do ambiemte. A presença de um espelho no final da cama amplia o ambiente e permite sensação de segurança, no lugar da vaidade.
Contemporâneo, o projeto das arquitetas não abriu mão das curvas embora prevaleçam as retas, símbolo do que é objetivo. Uma onda formada por um painel composto de várias imagens quebra a sobriedade do ambiente. Fotos pessoais do usuário evidenciam o prazer pela natureza e a valorização dos relacionamentos.
O vermelho e formas arredondadas da poltrona, o carpete com tramas em relêvo e as cortinas em tecido arrematam a composição do ambiente formando o ninho que se espera de um lugar pessoal e particular.


