Criar um lugar só para o home theater é a escolha mais tradicional e a de melhor efeito visual. No entanto, nem sempre é a melhor opção, principalmente quando o espaço é destinado ao uso familiar e dos amigos. Historicamente, os melhores espaços da casa sempre foram dedicados às áreas socias. Nos tempos atuais a tendência é valorizar a ‘‘personalização’’ tanto dos ambientes quanto das relações.
Hoje é ‘‘senso-comum’’ que o lugar onde a gente mora tem de ser voltado para incentivar a convivência. Os arquitetos Marilda Marchiori e José Carlos Repette defendem que os espaços destinados ao encontro da família têm de ser os melhores da casa.
Independente do tamanho, dizem, uma moradia bem projetada não tem mais lugar para espaços formais. ‘‘Não é só uma questão de otimização, mas uma mudança clara e inequívoca do significado de viver bem e com qualidade’’, afirmam.
Nascido para ser uma sala de cinema em casa, o home theater ainda carrega o estigma de exigir uma área física considerável. Mas eles não entendem desta forma. Para os dois arquitetos, a concepção atual de home theater não tem a pretensão a espaços grandiosos nem reservados.
José Carlos Repette lembra que o home theater se resume em um pequeno equipamento chamado receiver. De uma forma bem simplificada, sua função é ligar o sistema de som ao de imagem, permitindo a distribuição dos sons de acordo com o timbre, movimento, direção e intensidade propostos no filme ou gravação.
O receiver tradicional trabalha com quatro caixas, mas já existem lançamentos com seis caixas de som. As duas caixas da frente recebem os sinais de som gerais, enquanto as caixas laterais dividem os sons de acordo com a direção.
Por exemplo, se no filme o avião está pousando em uma pista à esquerda do expectador, o som vai vir da caixa de som esquerda, de trás para frente. O receiver pode ser considerado o 3D do som.
Nem o tamanho do equipamento justifica um ambiente grande – tanto o receiver como as caixas são pequenas. Existem medidas mínimas, mas elas são definidas pelo tamanho do visor da televisão, não pelo equipamento de som. Cada tamanho de ambiente aceita um tamanho máximo de visor.
Cabe ao arquiteto utilizar da melhor forma, otimizando o espaço e o efeito dos equipamentos. Aliás, a compra do equipamento deve ser feita em função do espaço que se tem e merece a orientação de especialistas na área. Assessoria que é oferecida gratuitamente nas boas lojas.
O móvel que vai apoiar o equipamento de som e vídeo também merece uma atenção especial. Marilda Marchiori explica que todas as suas partes têm de ser móveis para permitir a manutenção individual de cada parte do equipamento. Precisa ainda ser projetado para camuflar toda a fiação.
Quando a escolha recai na integração, os dois arquitetos entendem que o parceiro ideal do home theater é o living. ‘‘Eles têm como afinidade natural a reunião e o encontro para atividades conjuntas e aconchego suficiente para se curtir a solidão’’, afirma Marilda Marchiori.
Mas misturar atividades não interfere na qualidade do som do home theater? É claro que, para serem desenvolvidas juntas, as atividades escolhidas não podem se contrapor. Uma reunião festiva de amigos, não pode acontecer ao mesmo tempo em que você quer assistir àquele filme especial ou ouvir uma ópera.
Mas existem várias atividades que não interferem uma com a outra. Até esta limitação é importante. Segundo José Carlos Repette, ela exercita a arte de conviver. Quanto a decoração, afirmam, a orientação é abusar da madeira e dos tecidos. Além de dar um ar aconchegante, esses materiais ajudam a melhorar a acústica.
A escolha de um sofá adequado, daqueles maravilhosamente confortáveis, é imprescindível. Um tapete enorme e gostoso também é importante. Conforto e relaxamento são dois conceitos que não podem faltar nestes ambientes.

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