Hall de entrada, vitrine de boas-vindas
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de maio de 1999
Célia Baroni 
O hall de entrada tem que ter a cara do dono. É ele quem primeiro recebe os convidados e amigos e deve fazer antever o que os espera nos demais cômodos da casa. A desvalorização deste espaço faz com que a maioria das pessoas use apenas uma decoração trivial, sem identidade acreditam as arquitetas Mara de Oliveira e Adriana Zanardi. Argumentam que, apesar de ser um local de passagem, o hall é o primeiro a ser visualizado por quem chega. Pequeno ou grande, não importa, é ele quem dá a primeira impressão, reforçam.
Uma proposta das arquitetas é trabalhar com o volume e superfície do ambiente utilizando-as como instrumentos para criar uma vitrine de boas vindas. Neste jogo elas sugerem, para um ambiente pequeno, a criação de nichos construídos através de colunas e paredes de gesso. Nos nichos, prateleiras de vidro tornam o ambiente leve e reforçam a iluminação. O ambiente quadrado e com um pé direito alto ganhou paredes texturizadas em marrom café. Os nichos receberam um tom de caqui e permaneceram com a superfície lisa evidenciando o relevo de suas formas retas.
A voz do dono se faz ouver nos objetos que decoram o hall. Quadros de José Gonçalves dão cor e alegria ao ambiente, enquanto esculturas de Sarquis Samara e peças pequenas em vidro colorido chamam a atenção sobre as prateleiras de vidro. Um espelho usado como fundo do nicho à direita ajuda a refletir o gosto dos proprietários. Ao mesmo tempo, se abre para o hall evidenciando para quem olha os detalhes do ambiente.
O pé-direito alto foi rebaixado com a utilização de dois níveis de gesso em tamanhos diferentes. De baixo para cima, quem observa, vê um teto em gesso branco liso que parece uma laje. Abaixo, as arquitetas sobrepuseram um novo estrado de gesso mais grosso, porém menor, deixando uma margem vazia à esquerda de quem chega. No vão, foram imbutidas lâmpadas fluorescentes fazendo a luz escapar sobre a parede esquerda para depois refletir no ambiente.
O segundo teto tem uma luminária centralizada simples. Seu papel não é iluminar o ambiente, mas tornar a luz mais difusa. Luz direta só recebem os nichos onde estão os quadros e peças. Outro destaque do projeto é a iluminação chamando a atenção para o chão. Todos os nichos ficam suspensos. Embaixo deles, as arquitetas colocaram lâmpadas dicróicas que dão destaque ao tapete e velas de chão. Desde o início pensamos em um lugar acolhedor e que desvendasse uma nova surpresa ao visitante a cada passagem, afirmam.


