Luciana Pombo
De Curitiba
O grupo Laufen, que concentra empresas de cerâmica como a Incepa e a Celite, está passando por um período de reposicionamento estratégico mundial para garantir maior lucratividade e vendas em todo o mundo. O processo de mudanças da empresa iniciou no ano passado, após o impacto das crises econômicas da Ásia e da Rússia que desestruturaram o mercado brasileiro e fizeram com que os juros internos fossem elevados para uma taxa anual de 40%. ‘‘O custo extremamente elevado de financiamento levou a uma queda na demanda no final do ano, os preços caíram em 5% e tivemos que tomar medidas drásticas na administração de nossas fábricas’’, afirmou Ueli Roost, diretor-executivo do grupo Laufen no mundo.
De acordo com Roost, a Laufen decidiu redirecionar os diferentes setores de atuação e resolveu se dedicar, exclusivamente, aos setores de revestimento e louças sanitárias, deixando de atuar na fabricação de cerâmica pesada e de porcelana de mesa. ‘‘Crescemos muito rápido e de forma desordenada e começamos a nos estruturar, vendendo fábricas e fazendo uma estratégica de crescimento a longo prazo’’, afirmou ele.
Os dados da empresa demonstram que em 1998, o capital empregado cresceu 11% no ano e as vendas cresceram apenas 4,5%. ‘‘Percebemos que se isto continuasse, iríamos enfrentar uma crise seríssima nos próximos anos’’, disse. A alternativa para estancar as perdas foi reduzir pela metade o capital empregado. O resultado foi imediato, o endividamento do grupo caiu em 60% em apenas um ano. ‘‘Estamos fazendo a nossa lição de casa para depois reiniciarmos um crescimento estrutural nas Américas’’, informou ele.
Também foram diminuídos os postos de trabalho. No setor de louças sanitárias, o corte no Brasil foi de 11%. Já na área de pisos e revestimentos, a diminuição da força de trabalho foi de 25%. Desde outubro de 1998, as fábricas brasileiras interromperam a produção de artigos de segunda linha. Tudo para cortar os gastos. ‘‘Acho que a fase de cortes já passou, temos agora o intuito de definir metas e analisar a tendência do mercado mundial’’, argumentou.
Para o ano que vem, os grandes focos de crescimento da empresa estarão concentrados no Brasil e nas Américas. ‘‘Iremos aumentar nossa lucratividade e melhorar os serviços prestados aos consumidores’’, disse Roost, ‘‘achamos que somente as empresas mais fortes sobreviverão em todo o mundo e queremos ser uma delas’’.
O grupo Laufen tem dez fábricas de louças espalhadas pelo mundo (quatro delas no Brasil), com capacidade de produção de 13 milhões de peças, além de cinco fábricas de revestimento de cerâmica (duas no Brasil), com capacidade para produzir 16 milhões de metros quadrados. O Brasil é o país com maior capacidade de produção (5 a 6% da mundial) e emprega 3.600 funcionários.
A Laufen foi inaugurada em 1892, na Suíça, onde trabalhava inicialmente na fabricação de telhas e tijolos. A partir de 1925, a empresa começou a atuar na fabricação de louças sanitárias. Em 1952, a empresa deu o primeiro passo no exterior, fundando a Incepa Ltda em Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba. Atualmente, a empresa é a terceira maior produtora de louças sanitárias do mundo e a segunda em número de peças produzidas.

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