A gestão de resíduos da construção civil pode gerar economia para as construtoras e minimizar perdas nas obras. Embora esse não seja um assunto exatamente novo, a gestão de resíduos voltou ao centro das discussões porque entrou em vigor a Norma 307, que versa sobre a responsabilidade de destinação dos resíduos da construção civil. O assunto foi discutido em Londrina, durante o 4º Congresso Paranaense do Ambiente Construído (Copac), encerrado na sexta-feira.
O evento foi uma promoção do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon) e do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal). Durante três dias arquitetos, engenheiros, empresários, administradores, professores e estudantes discutiram a sustentabilidade da construção civil. O evento foi realizado no Centro de Eventos do Catuaí Shopping.
Segundo Élcio Duduchi Careli, economista e diretor da Obra Limpa Comércio e Serviços, de São Paulo, as construtoras começaram a se interessar pela gestão de resíduos quando começaram a implantar os programas de certificação de qualidade. ''Minimizar perdas é considerada uma arte na construção civil'', afirmou. O segmento, hoje, sem dúvida gera menos resíduos do que há 15 anos, mas ainda há muita controvérsia sobre o assunto e muitas possibilidades de avanços.
A Norma 307, por exemplo, afirma que a destinação de resíduos da construção civil não podem ser destinados para aterros sanitários, para onde são encaminhados resíduos orgânicos. ''Produtos orgânicos recebem tratamento específico e os entulhos da construção roubam espaço. Com isso, cria-se um problema urbano, diminuindo a vida útil desses aterros'', disse Careli. Pela Norma, editada em 2002, os municípios teriam que contar com aterros específicos para o segmento.
O prazo para as devidas adequações já terminou e, agora, construtoras e governos têm que promover as mudanças. Inclusive, é necessária a aprovação de uma lei municipal que versa sobre o assunto. ''Quem não der a destinação correta para esses resíduos pode ser responsabilizado por crime ambiental. Além disso, pode gerar multas e processos'', informou o economista.
Por isso, na sua avaliação, é importante que as empresas conheçam o ambiente e a cidade onde estão inseridas para o desenvolvimento correto de políticas de destinação dos resíduos. ''Nesse ponto, os sindicatos da construção civil têm um papel muito importante, que é de orientação e prevenção. A não destinação correta dos resíduos pode expor ainda mais o setor formal da construção civil'', avaliou Careli.

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