Um dos mercados de maior crescimento no Brasil - cerca de 50% ao ano - os painéis de gesso para paredes internas, forros e revestimentos, têm como principal justificativa para essa expansão a relação custo/benefício que essa técnica proporciona ao construtor. Como a execução do trabalho é, pelo menos, três vezes mais rápida, proporciona uma redução de cerca de 20% do custo total da obra. Em construção convencional, o índice de desperdício de material pode chegar a até 30%, enquanto que com o gesso não passa de 5%.
Ainda uma novidade para muitas empresas e profissionais no Brasil, esse método construtivo é largamente utilizado, há mais de 50 anos, na Europa e Estados Unidos. Apenas a indústria da construção civil norte-americana absorve metade do consumo mundial que é de 4 bilhões de metros quadrados. O americano consume 8 m2/per capita/ano; o europeu (em especial os franceses, alemães, ingleses e italianos) outros quatro metros quadrados; e os chilenos, 3 m2 por habitante ano.
No Brasil, os números do consumo são bem mais modestos: apenas 0,02 metros quadrados/habitante/ano. Mas os grandes nomes internacionais, produtores dos painéis de gesso - Lafarge Gypsum e BPB/Placo -, apostam em números futuros, calculados em progressão geométrica. Para isso investem na construção de fábricas, no treinamento de mão-de-obra e na altíssima capacidade produtiva do setor, no Brasil e nos países do Mercosul.
A Lafarge Gypsum, grupo francês e líder mundial em material para construção, é detentora de 70% do mercado nacional. Em país onde são consumidos cerca de 4,5 milhões de m2/ano, disponibiliza para os construtores brasileiros 3 milhões de m2/ano em painéis de gesso acartonado produzidos em sua fábrica em Petrolina, Pernambuco. Com mais de 80 distribuidores espalhados pelo país, já detectou nichos de mercado com grande potencial: as cidades de Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre.
Para ampliar a divulgação, mantém centros de treinamento de mão-de-obra. Uma maneira de disseminar o conceito do sistema construtivo e oferecer qualidade no produto final aplicado. Em Londrina, a empresa Walltec, distribuidora autorizada da Lafarge Gypsum, montou um destes centros. Dirigido a todos os profissionais técnicos ou em formação, ensina durante uma semana, todas as técnicas para a montagem correta dos painéis, tanto para forros como para paredes.
Totalmente gratuitos os cursos da Lafarge mostram também as vantagens do produto: flexibilidade nos projetos arquitetônicos personalizados, resistência, alívio de carga na estrutura, limpeza e rapidez na execução, facilidade de manutenção, possibilidades de reforma e acesso fácil às instalações dos sistemas hidráulico e elétrico.
Com as mesmas vantagens da técnica que substitui a alvenaria tradicional, a BPB/Placo, empresa formada pela parceria dos grupos British Plaster and Board (Grã-Bretanha) e Matte (Chile), inaugurou sua primeira fábrica no Brasil em meados de março. A unidade instalada em Mogi das Cruzes (SP) recebeu investimentos de US$ 30 milhões de dólares e deve faturar, já em seu primeiro ano de atividades, US$ 16 milhões, 80% a mais que o faturamento atual.
A localização da fábrica é estratégica: próxima aos consumidores das regiões que mais utilizam as placas de gesso, Sudeste e Sul. Com capacidade inicial de produção de 11 milhões de metros quadrados, a fábrica pode suprir em duas vezes e meia o mercado brasileiro.
Isso permitirá, segundo a direção da BPB/Placo, não só a imediata substituição das importações, como também capacidade de exportação aos países vizinhos do Mercosul, hoje atendido por fábricas instaladas na Argentina e no Chile. Operando em fase de testes desde dezembro do ano passado, já fechou o primeiro grande negócio depois da inauguração: a fábrica de Mogi das Cruzes está produzindo 140 mil metros quadrados de painéis para paredes e forros de 18 salas de cimena que serão instaladas no Rio de Janeiro. O valor faturado desta primeira nota fiscal passou de R$ 1 milhão.

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