Fundo de reserva ajuda a pagar dívidas do mês
'' Ser síndico hoje, ... é melhor ser coveiro'', argumenta Olmar Zoratto. Segundo ele, os moradores reclamam muito. Síndico há 8 anos, ele declara que está cansado das noites mal dormidas por causa das contas do condomínio. Zoratto já é conhecido do fornecedor de gás do prédio. Só por essa razão ele tem intimidade para '' pagar depois'' essa conta.
Enquanto conversava com a reportagem, Zoratto mostrou a folha com a lista das dívidas pendentes dos condôminos. A conta soma quase R$ 40 mil. Como as despesas mensais do condomínio são em média de R$ 3 mil, se todos pagassem o que devem, ninguém precisaria pagar nada por um ano e ainda sobraria R$ 4 mil. ''Se tivesse todo o dinheiro dos devedores investiria em melhorias para todos como a pintura do prédio'', desabafa.
Zoratto conta que usa com frequência o dinheiro do fundo de reserva para quitar as contas do mês. Moradora do prédio desde que foi construído, 15 anos atrás, a professora Maria Helena Sogabe revela que já tirou dinheiro da poupança para emprestar para o condomínio. ''Faz tempo, emprestei para pagar os encargos trabalhistas da demissão de um funcionário, valor que o condomínio foi me pagando em prestações'', lembra.
Enquanto sonha em voltar a ser caminhoneiro, função da qual está aposentado, Zoratto, além de administrar as contas do condomínio cuida da limpeza de corredores, escadas e outros espaços comuns, faz pequenos reparos no prédio e ainda cuida da portaria apesar dos 76 anos de idade. '' Vou entregar o cargo em março. Sonho que estou andando pelas estradas de caminhão'', confidencia.





