Função é valorizar o trabalho
As molduras que envolvem uma obra de arte nem sempre são vistas dentro de uma perspectiva que as coloque em sua principal função: a de ser um suporte que valorize a tela ou o papel colocado dentro de seus limites. Nos últimos anos, graças ao contato com revistas de decoração que chegam do exterior, uma parcela do público, aos poucos, vem conhecendo a diversidade existente no setor, quais as melhores soluções para cada caso, as novidades. E a liberdade em se usar o clássico, sem ter medo de parecer retrógrado.
Este é o início de uma nova visão, e como tal ainda não se popularizou. Prova disso é que a maioria das pessoas não tem nem idéia de que moldura colocar, o que fica bem. Elas precisam de orientação, segundo observa Robson Kalil, da Vicenza Molduras & Artes, de Curitiba. Imagino uma pessoa se deparando com o mostruário, ela fica perdida. Aí acontece dela ir buscar o trabalho e se decepcionar: Puxa, pensei que fosse ficar bonito e não ficou.
A culpa não é dela, vem do desconhecimento de como valorizar o trabalho, esclarece Kalil. Ele compara a moldura ao cabelo das pessoas: Dependendo do corte que você usar, vai valorizar seu rosto. Ou não. O segredo está na harmonia. Difícil para o leigo é ter um olhar que saiba conjugar essa harmonia. Qualquer deslize e um trabalho está fadado à morte. Fotografia, é um exemplo.
Você pega uma fotografia e coloca uma moldura direto sobre ela. É o bastante para sufocá-la, ao passo que ficaria muito mais interessante se desse um respiro a ela, com um passe-partout e não colocando moldura exagerada. Às vezes a pessoa coloca moldura muito larga, toda trabalhada, com muito dourado e ela acaba aparecendo mais que a foto. Fica um trabalho desarmônico. Foto exige algo básico, bem simples, para poder valorizar o objeto.
Não é somente com o papel que essa asfixia acontece. O mesmo se dá com os óleos. Em nome da moda, donos de valiosos trabalhos acabam trocando as molduras originais por vezes igualmente valiosas pelas tendências mais atuais. Mais tarde virá a decepção.





