Santos (SP) A redução do uso de madeira na construção civil pode trazer benefícios à obra e ao meio ambiente. Um projeto do engenheiro civil Nelson Parente Júnior, de Santos (SP), garante o uso do lixo plástico das cidades como substituto da madeira na construção civil. ''Durante dez anos pesquisei um substituto para a madeira, que é um insumo básico nas construções, por plástico reciclado (pós-consumo) para fazer tábuas, sarrafos e pontaletes, que podem ser utilizados para confeccionar fôrmas para concreto, tapumes, andaimes e cavaletes de sinalização.''
O projeto, segundo Parente, utiliza todos os tipos de plásticos no lugar da madeira não incorporada à obra. ''Como cada plástico tem uma resistência, cada um tem uma utilidade. Para as fôrmas de concreto nas quais é jogado o concreto fresco para fazer a estrutura da edificação pode-se utilizar PET, PVC e poliestireno. Já o polietileno e o polipropileno, mais frágeis, podem ser usados para tapumes e sinalização''.
O pesquisador, que criou a Empresa Brasileira de Reciclagem (EBR) para viabilizar o projeto, diz que sua grande preocupação era obter um produto viável economicamente. Isso foi conseguido através do design, com peças com a mesma resistência da madeira, mas ocas por dentro. Com isso, a tábua de plástico fica mais leve (3Kg por metro, contra 4Kg por metro da madeira), dura mais e pode ser recomprada pelo fabricante como sucata.
''Esse plástico pode ser reciclado novamente, mais umas quatro ou cinco vezes, mantendo a resistência da resina. Com isso, damos utilização para o lixo plástico e diminuímos a demanda sobre a madeira, cuja extração ainda é predatória'', diz o engenheiro.
Outra vantagem do produto é a economia de água durante a construção, pois as fôrmas de madeira precisam ser molhadas. Segundo Parente, as peças de plástico desenformam mais facilmente e garantem melhor acabamento ao concreto.
Um lote protótipo das fôrmas plásticas foi usado em uma reforma de imóvel em Santos, com bom resultados. Há um ano, o empresário pediu ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) R$ 4,5 milhões para construir a fábrica.
Com a patente do projeto registrada, Parente pretende criar uma indústria-piloto e abrir franquias para outras regiões. ''A idéia é comprar plástico, produzir e vender na própria região, já que a matéria-prima é abundante em toda a parte. É uma ótima alternativa para cooperativas de catadores. A continuidade do projeto será fazer peças incorporadas à obra, construindo casas populares de plástico, utilizando a resina já reciclada várias vezes e misturada (com vários tipos de plásticos).
Mais informações sobre o projeto podem ser obtidas pela internet no site www.formas.com.br ou por e.mail [email protected].

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