Fofos, coloridos e irreverentes
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de junho de 2001
Célia BaroniDe Londrina 
Cabeludos e coloridos. Definitivamente indiscretos. Os puffs criados pelo artista plástico Sarquis Samara chamam a atenção justamente pela irreverência. Ele trouxe de volta o chenile peludo nos tons de vermelho, laranja, preto e celeste. Isto mesmo, aquele tecido que era usado nos anos 70 em estofamentos de táxis e nos fusquinhas.
Até para aquela época o tecido parecia brega, não é? Mas não é mais. Pelo menos, não nas peças de Sarquis. O uso nos puffs deu um visual divertido e a textura do tecido deu às peças um ar interessante ao tato e ao olhar. Os pés de alumínio lembram as cúpulas das torres dos castelos bizantinos e enriquecem as peças.
A proposta é dar vida a peças comuns, tornando seu uso um recurso a mais para personalizar o espaço individual, explica. Ao tecido, Sarquis acrescentou formatos geométricos e criou mais um produto: o banquinho de apoio para os pés.
Corações, círculos, triângulos e retângulos coloridos não exigem uma postura irreverente de quem usa. Apenas bom humor suficiente para quebrar a rotina proposta pelo estilo escolhido.
Primeira inscursão do artista na produção de móveis, a linha de puffs com a assinatura de Sarkis foi lançada durante a Mostra Brasil de Móveis, realizada em abril, em Gramado (RS). As peças dividiram espaço com móveis criados pelos melhores designers do país e nomes internacionais. Foi um sucesso. Nem eu esperava tanto, conta o artista plástico.
Conhecido nacionalmente pelas suas peças utilitárias, decorativas e para presentes, ele explica que não pretende se aventurar muito pelo caminho dos móveis. Vou continuar produzindo algumas peças de mobiliário, mas só as de pequeno porte do tipo complemento, afirma. Tudo a ver com Sarquis.
A febre de criar e a urgência de terminar a obra, características pessoais do artista, encontraram eco no ritmo da produção industrial. Há quatro anos ele suspendeu seu trabalho com escultura para se dedicar ao design de peças utilitárias e de decoração. O resultado pode ser visto na variedade de itens que ele tem hoje no mercado. São mais de dois mil.
Nas peças é fácil perceber uma forte influência italiana, nítida na simplicidade elegante das linhas (Sarkis passou três anos na Itália estudando para aperfeiçoar seu trabalho como artista plástico). O alumínio é o material base de todas as suas criações, muitas vezes acompanhado por madeira e vidro.
Onde termina a arte e começa a produção comercial? Quando se fala no trabalho de Sarquis Samara fica difícil separar o artista do empresário. Ele consegue renovar conceitos comuns, e colocar em cada nova peça criada um pouco dos dois.


