Segurança é certamente a maior vantagem que um imóvel pode oferecer ao morador. Segundo o engenheiro civil José Augusto de Queiroz, especialista em mecânica de estruturas, ela está diretamente relacionada à capacidade do imóvel assimilar a solicitação de forças (vento, sol, chuva (às vezes, acidificada), som, abalos, desgaste de materiais, etc).
''Ao elaborar um projeto é necessário considerar as piores situações que uma determinada obra será submetida. A queda de uma árvore sobre uma residência, por exemplo, é um fato imprevisível desde que sua existência não integre o conjunto de informações sobre o local no início do trabalho'', explicou o ex-professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Qualquer obra será única considerando o espaço que ocupará, o tipo de solo, a posição em relação aos ventos, o clima, a geografia, o uso pretendido, entre outros fatores. Dessa forma, o coeficiente de segurança dos pilares, vigas e lajes, consequentemente, variará de uma construção para outra. A terra roxa, por exemplo, que é ótima para a agricultura exige fundações mais profundas porque o solo é muito poroso. De acordo com a legislação brasileira, o engenheiro que assina o projeto é responsável pela obra nos primeiros cinco anos, salvo em caso de vício estrutural, ou seja, erros de origem que recairão sobre o profissional a vida inteira.
Outro fator que influirá de maneira geral numa construção é o acompanhamento científico e tecnológico dos profissionais envolvidos. Baseado em leituras diárias, Queiroz afirma que o desenvolvimento tecnológico dobra a cada 16 anos e o paralelismo à ciência produzirá um conhecimento 41% superior nesse mesmo período. Em suma, isso quer dizer que a desatualização na engenharia é um fator de risco para a sociedade.
A NBR-6118, reformulada pela Associação Brasileira de Normas e Técnicas (ABNT) há dois anos, é o mais novo instrumento de apoio para os engenheiros em mecânica de estruturas. Segundo Queiroz, ela prioriza a segurança e a durabilidade das construções ao citar, entre outras itens, novidades em materiais, aplicações e técnicas. O concreto protendido (recheado com cabos de aço (carbono mais ferro), que hoje suporta até 30 mil quilos/centímentro quadrado), é usado em lajes e pisos para aumentar a resistência. Embora não seja novidade para as construtoras, ele popularizou-se no Brasil na década de 90.
''As solicitações de forças e o desgaste dos materiais são fatores que possibilitam, por exemplo, o aparecimento de fissuras que, nem sempre, significam risco para o imóvel. Elas surgem, principalmente, em obras térreas, às vezes, pelo excesso de peso imposto num ponto do imóvel. Independentemente do caso, é preciso uma avaliação técnica antes de qualquer atitude'', detalhou o engenheiro. A deterioração do imóvel é uma consequência natural do tempo, mas, independentemente, da manutenção é necessário que o envelhecimento não interfira no uso.

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