Financiamento do primeiro imóvel requer planejamento
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domingo, 04 de novembro de 2007
Caroline Vicentini<br>Reportagem Local 
Apesar de o Governo Federal e os bancos - tanto públicos como privados - não possuírem linhas de crédito para financiar o primeiro imóvel de jovens, a expansão das ofertas de crédito imobiliário, alongamento nos prazos de financiamento e taxas de juros menores têm atraído para o mercado um perfil de mutuário que até então não se via nos plantões de venda. Jovens, na faixa dos 20 aos 30 anos, com uma renda mensal de cerca de R$ 2 mil, aproveitam o boom imobiliário para deixar a casa dos pais ou de um parente generoso, ou ainda livrar-se do aluguel para concretizar o sonho da casa própria.
Porém, alertam os consultores financeiros, antes de sucumbir à tentação do gasto imediatista incentivado pela crescente oferta de crédito dos bancos, o jovem que decidir financiar a habitação deve considerar o programa adotado, o cenário econômico, a posição social, o prazo das prestações e as perspectivas salariais.''Considero o momento oportuno para a compra de um imóvel, mas precisa ser feita com responsabilidade. É interessante planejar previamente para conseguir juntar recursos suficientes a fim de iniciar o pagamento e evitar contratempos após o contrato. Não é bom para o jovem ficar inadimplente. Muitas vezes o recrutador da empresa investiga se o candidato tem o nome ''sujo'' na praça e, caso esteja, corre o risco de ter a vaga bloqueada. 'As vezes o jovem não tem estabilidade emocional para suportar um endividamento'', alerta o especialista em matemática financeira e consultor em finanças, Marcos Crivelaro.
A dica para que o sonho da casa própria não se transforme em um pesadelo é planejar sem pressa, não investir tanto, financiar o mínimo possível em prestações compatíveis com a renda e amortizar no menor prazo. ''Não precisa ser a casa dos sonhos. Este imóvel pode ser trocado ao longos dos anos'', frisa Crivelaro. O especialista orienta o mutuário a usar todo o saldo que tiver no Fundo de Garantia Do Tempo de Serviço (FGTS) como entrada, diminuindo o valor financiado. Se possível, recomenda-se poupar por um ano o valor equivalente ao que pagaria no financiamento. ''Usando este valor poupado como entrada, você reduz dois anos de financiamento ou diminui em muito o valor das prestações mensais'', explica.
Outra orientação, segundo o diretor da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH), em Curitiba, José Antunes, é não comprometer mais do que 25% da renda com o financiamento. ''A pessoa não pode se deixar levar pela emoção. O ideal é que compre aquilo que vá atendar às necessidades do momento. Um casal com um filho pequeno não precisa, de imediato, comprar um apartamento de três quartos, exemplifica. Outro conselho de Crivelaro é a cada dois anos sacar o FGTS e amortizar parte do saldo devedor para se livrar mais rápido da dívida. O consultor lembra que, a partir de janeiro de 2008, os trabalhadores que optarem por financiamentos com recursos do Fundo de Garantia terão desconto de 0,5 ponto percentual na taxa de juros. ''A não ser que a diferença entre as taxas for muito grande, algo como cinco pontos percentuais, vale a pena fazer o empréstimo pré-fixado'', garante.
Crivelaro também alerta para o prolongamento das linhas de crédito ofertadas pelos bancos de 20 para até 30 anos. ''Embora a prestação mensal fique mais baixa (próximo ao valor do aluguel), o custo final do imóvel pode encarecer quase 30%, em alguns casos. Já a diferença entre o total pago num financiamento de 10 anos e num de 15, 20, 25 anos chega a 30%, a 60% e a 90%, respectivamente'', calcula.


