São Paulo - A CBIC propõe ainda a criação de um programa de financiamento direto ao construtor para produção de imóveis novos, com recursos do FGTS, sem a necessidade de comercialização prévia das unidades residenciais. ''É impossível vender a totalidade dos imóveis na planta, sobretudo quando o empreendimento é voltado para classes mais baixas'', justifica o vice-presidente da CBIC. Atualmente, calcula Kauffmann, 85% dos recursos do fundo são utilizados para aquisição de imóveis prontos. ''No máximo 30% dos recursos deveriam ter essa finalidade. Cerca de 70% deveria ir para a produção de imóveis novos'', defende.
Em contrapartida à ampliação dos recursos disponíveis, a entidade propõe que o agente financeiro responsável pela concessão do crédito exija estudos de viabilidade econômica do empreendimento.
''Esses estudos demonstrariam quais projetos são viáveis e evitariam o aparecimento de novos esqueletos imobiliários'', de acordo com Kauffmann. Além disso, a destinação de boa parte dos recursos do fundo para a produção imobiliária elevaria o valor médio dos empréstimos concedidos, que hoje é de 5 mil. ''Isso é favelização do País'', diz.
Outra medida apresentada pela CBIC é a criação de uma linha de financiamento específica a indústrias que pretendem construir condomínios residenciais para seus funcionários em áreas próximas a suas instalações. O chamado Proemp utilizaria recursos da poupança e seria concedido diretamente à empresa.
Além disso, a câmara propõe a ampliação do limite de financiamento dos atuais 60% para até 80% do valor de venda ou avaliação do imóvel, ampliação do prazo de financiamento para 20 anos (hoje na média de 15 anos) e redução dos juros, de 12% para 10%, para contratos de aquisição de imóvel residencial situado na faixa de R$ 35 mil a R$ 70 mil.
De acordo com Kauffman, a adoção dessas medidas possibilitaria a contratação dos R$ 22 bilhões que estarão disponíveis para o crédito imobiliário neste ano. ''Estamos bastante otimistas. Se esses recursos forem contratados integralmente, a construção civil vai gerar 1,5 milhão de novos empregos'', afirma. (AE)

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