Com a liberação de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador para a criação do Programa FAT-Habitação, na última quarta-feira (21), a Caixa voltará a financiar a casa própria à classe média. Suspenso desde o final de agosto, o crédito imobiliário para famílias com renda superior a 12 salários mínimos (R$ 2.160) deverá entrar em operação no início do próximo ano. O limite máximo de financiamento será de R$ 180 mil para imóveis com valor máximo de avaliação de R$ 300 mil.
A boa notícia é que, através deste novo programa que injetará R$ 1 bilhão na já conhecida modalidade Carta de Crédito Caixa, o custo da dívida para o mutuário pode ser menor. O superintendente da CEF em Londrina, Mounir Chaowiche, explica: ''Até agosto, a base de cáculo para o custo do financiamento desta modalidade era realizada com a aplicação da variação da Taxa Referencial (TR) mais a taxa de juro de 12% ao ano; o que representava, na verdade, um percentual final de cerca de 20% ao ano sobre o custo. Agora, o índice usado será o TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), em torno de 10%, mais 4% ou 5,5% ao ano (dependendo da linha). Isso significa, hoje, um percentual de juro final de no máximo 15,5% ao ano. Diferença que leva a uma significativa economia ao logo de 10, 15 ou 20 anos''.
Pelo Programa FAT-Habitação, a Caixa vai oferecer três linhas de financiamento. A primeira, que pode ter até 80% dos recursos totais, é destinada à compra de imóvel na planta e prevê a liberação dos recursos de acordo com a evolução da obra. Neste caso, os juros cobrados serão de TJLP, mais 4% ao ano. A segunda é voltada para imóveis individuais e vai beneficiar quem pretende construir o próprio imóvel. Os juros são iguais aos da primeira linha, com a liberação de recursos também seguindo a evolução da obra.
Na última modalidade de empréstimo, específica para aquisição de imóvel novo (pronto há até seis meses), o desembolso dos recursos será feito de uma só vez, e os juros cobrados do mutuário serão de TJLP mais 5,5% ao ano. Nesta linha, segundo Chaowiche, procurou-se garantir um benefício para as pequenas construtoras, que têm um volume de vendas maior somente depois que o imóvel fica pronto.
A previsão do superintendente da Caixa é de que, para as regiões Norte e Norte Pioneiro (área com 92 municípios sob esta regional da CEF), mais de R$ 30 milhões estejam disponibilizados em crédito, no próximo ano, para os financiamentos habitacionais destas três linhas. ''Isso significa cerca de 1,6 mil unidades, se considerarmos que o valor médio (por unidade) solicitado para os financiamentos nestas regiões gira em torno de R$ 80 mil'', diz Mounir Chaowiche. Ele enfatiza que, ''além de dar fôlego às construtoras através das cartas de créditos para seus clientes, incrementando com isso o mercado imobiliário, o novo programa de financiamento habitacional também proporciona crescimento na mão-de-obra da indústria da construção civil, com a geração de novos postos de trabalho.''

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