Fim de ano estimula locação comercial
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domingo, 03 de dezembro de 2006
Betânia Rodrigues<br> Reportagem Local 
O pífio desempenho econômico do Brasil, em 2006, é desanimador para uns e estímulo para quem quer arriscar a abrir o próprio negócio. Entre esses 'heróis da resistência' estão futuros comerciantes que - tradicionalmente - aquecem o mercado de locação no terceiro quadrimestre do ano.
As imobiliárias de Londrina, por exemplo, registram aumento na busca por salas comerciais desde setembro. ''A preferência recai sobre imóveis térreos (fácil acesso e boa visibilidade), centrais, com aproximadamente 40 metros quadrados, cotados entre R$ 400,00 e R$ 500,00, dedicados à venda de presentes, confecções e alimentos'', disse Thaize Peres Lopes, assistente financeira da imobiliária Atual.
Esse interesse sazonal - normalmente - dura até o Carnaval. Neste meio tempo, o mercado aproveita para desencalhar os imóveis vazios, mesmo por valores menores, com o intuito de evitar roubos e depredações. ''O período eleitoral influencia o ritmo das negociações devido à incerteza no campo político e econômico. Hoje, as pessoas que poderiam investir no mercado imobiliário preferem aplicar seu dinheiro em fundos de renda fixa, mais garantido e mais rentável que a locação'', disse o corretor Jairo Gomes da Conceição. Na melhor hipótese, o proprietário de imóvel comercial receberá, a cada 30 dias, 0,7% sobre o valor do patrimônio. Em contrapartida, o residencial não ultrapassa a casa de 0,5%.
O garçom Fábio Nunes e a esposa aproveitaram a abertura de uma galeria, no centro da cidade, para incrementar a renda familiar comercializando roupas e acessórios femininos. ''Ela recebia pouco como personal trainer e há oito meses optou pela revenda de mercadorias compradas no Rio de Janeiro. Locamos esta loja porque o ponto é bom e o aluguel é razoável. Vamos experimentar esta oportunidade, contando com os clientes antigos e a propaganda boca-a-boca'', disse Nunes que, por precaução, continuará servindo mesas durante a noite.
Sebastião Gomes, proprietário de uma ótica e relojoaria, mudou-se para a mesma galeria que Nunes há duas semanas, fugindo da concorrência com os camelôs da Rua Benjamin Constant. ''Se continuasse naquele local, passaria o tempo fazendo lentes para armações compradas por R$ 20,00 em qualquer banquinha. Seria a ruína do negócio. Aqui, espero vender mais para uma clientela específica'', disse.


