FGTS no lance aumenta poder de compra de consorciados
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sábado, 02 de novembro de 2002
Ligia Barroso<br> Especial para a Folha 
Somado às dificuldades em se obter crédito e às altas taxas de juros cobradas pelos bancos para financiar a casa própria, o uso do saldo do FGTS como valor de lance reforçou ainda mais as vendas de cotas de consórcios de imóveis entre as administradoras de todo o país.
Mas não é só isso. Além de incrementar a carteira de clientes das mais de 70 empresas que atuam neste segmento, o dinheiro do Fundo aumenta o poder de compra de quem quer adquirir um imóvel pronto, ou vai construir, por meio do sistema de consórcio.
Tanto para os consorciados de grupos imobiliários que sem condições de poupar para o lance passam a ter mais recursos e facilidades para a contemplação, como aos consumidores que desejam comprar a casa própria, têm saldo do FGTS com direito de uso, mas não podem arcar com o custo final de um financimento ou o valor mensal de uma prestação.
''Neste caso, não existe limite para o saque'', diz o superintendente de negócios da Caixa em Londrina, Mounir Chaowiche. ''O consorciado contemplado pode usar como lance parte ou 100% do saldo, tanto de contas ativas como inativas. A única restrição é que o preço do imóvel não pode ser superior a R$ 300 mil''.
Mas o superintendente alerta sobre as regras normativas da Caixa para a liberação do dinheiro. O uso do Fundo via consórcio está liberado para quem tem (ou teve), no mínimo, três anos de trabalho pelo regime de FGTS (com depósitos consecutivos, sem interrupção, neste período); o consorciado não pode ter outro imóvel no município onde reside e nem possuir outro financiamento habitacional. ''E, além disso, antes de dar o lance, o interessado deve se certificar se a sua administradora está cadastrada na Caixa, que é o agente operador do FGTS'', completa Chaowiche.
Segundo ele, este último item de qualificação, ''que determina o conceito da administradora junto ao Banco Central e sua idoneidade junto ao mercado de consórcios'', é tão importante quanto os demais, ''pois será ela a empresa responsável pelo detalhamento da documentação do consorciado contemplado, pelo acompanhamento da verificação de projetos realizados por técnicos da Caixa e, em consequência, também pela agilidade na condução de todo o processo. Um procedimento ainda recente na área de habitação da CEF''.
Desde que foi regulamentado e normatizado (15 de maio e final de julho respectivamente) o uso deste recurso também como valor de lance pois até então o dinheiro do FGTS só podia ser usado para complementar o crédito recebido pelo consorciado contemplado , a superintendência da Caixa de Londrina, que atende a 92 municípios das regiões Norte e Norte Pioneiro do Paraná, liberou, no mês de outubro, três contratos.
''Todos de Londrina e de uma mesma administradora, o Consórcio União. Um para a construção (leia reportagem nesta página) e dois para a compra de imóveis prontos. E isso, na verdade é só o começo, pois desde a normatização efetiva, diariamente recebemos dezenas de consultas de pessoas interessadas em conhecer os procedimentos para a utilização deste recurso'', conclui Chaowiche lembrando que o número de interessados deve crescer significativamente após a entrada da própria Caixa no sistema de consórcios o que deve acontecer até o final deste mês, segundo declarações do presidente da CEF à imprensa.


