É quase impossível encontrar alguém que nunca desviou o caminho ou, por infelicidade, pisou nas fezes de um cachorro deixadas nas calçadas, jardins ou áreas públicas. O pior é que na maioria das vezes quem escolhe o local para o animal defecar é o próprio dono. Ele aproveita suas horas vagas e passeia com o 'bichinho' pela vizinhança para livrar ambos do estresse e manter os laços de afetividade. A parte ruim desta linda história de amizade fica para outros pedestres e funcionários de condomínios que, diariamente, retiram os excrementos deixados na verdade, pelo dono do cachorro.
''O cachorro é um animal muito inteligente. Basta paciência para treiná-lo'', afirma Antonio Freitas, síndico do condomínio residencial Ilha de Rhodes, localizado no centro de Londrina. ''Nosso quarteirão é muito movimentado e, talvez, isso afugenta um pouco os animais. Um dono consciente pode facilitar sua vida alimentando o cachorro com rações específicas que produzirão fezes menores e mais secas'', completou o síndico, que transformou um pedaço de pano devidamente alocado na área de serviço do apartamento no banheiro do seu cão.
Sandra Garcia é apaixonada por cachorro desde criança e mesmo morando em apartamentos nunca abdicou da companhia dos bichinhos. Atualmente, a poodle Dolly, de sete anos, é o xodó dela e do marido que se revezam no passeio diário com a cadela. Numa mão, Sandra carrega a chave de casa e na outra, a ponta da guia e um saco plástico para recolher o cocô deixado nas calçadas. ''Acho falta de consideração sujeitar outras pessoas a limpar a sujeira feita pelo seu animal ou pior ainda: pisar em cima e cair, como aconteceu comigo'', lembra a dona de casa.
O arquiteto Clóvis Bohrer indigna-se quando flagra um cachorro defecando ou urinando no jardim de seu escritório e o dono do animal permanece imóvel: não desculpa-se e nem sai do lugar. ''Pensei em cercar o local ou simplesmente cimentar, mas desisti dessas idéias porque é meu direito manter o mínimo de verde onde trabalho'', argumentou.
''Alguns semiconscientes embalam as fezes num saco plástico e o despejam, de preferência, ao lado de uma árvore ou arbusto. É melhor que nada, mas também não está certo. E isso não depende da classe socioeconômica da pessoa. A madame e a faxineira, por exemplo, fazem a mesma coisa. O que falta é educação e a recuperação de valores, como respeito, cidadania, entre outros'', acrescentou Bohrer.
''E onde vou levá-lo?'', é uma das respostas que o administrador do condomínio residencial Arkádia, Mauro Hummel, já ouviu numa das muitas vezes que pediu aos pedestres para retirarem os cachorros do gramado externo ao prédio. ''Mostrar cara feia não adianta mesmo. As plaquinhas de alerta não impedem ninguém, mas, pelo menos, deixam clara a insatisfação dos outros e, quem sabe, constrangerão a pessoa'', explicou.

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