Férias das crianças: o que fazer sem área de lazer?
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sábado, 21 de julho de 2007
Caroline Vicentini<br> Reportagem Local 
Férias escolares costumam ser sinônimo de desespero para pais que não conseguem tirar folga do trabalho no mesmo período de descanso dos filhos. Cheias de energia, as crianças não conseguem passar muito tempo dentro de casa envolvidas com brinquedos, computador, videogame. A situação piora quando a criança reside em edifício que não oferece área de lazer.
Na região central, moradores do Centro Comercial e edifícios vizinhos - que não possuem área de lazer - amenizam a situação levando os filhos à Concha Acústica. O local passou a ser mais frequentado após a revitalização, entregue em maio. Muitos pais descem no final da tarde para ver os filhos brincarem e colocam a conversa em dia com os vizinhos. É o caso da professora Luciana Cravo Mira, mãe de Arthur, 12 anos, e Victoria, 10, que reside há sete meses no Centro Comercial.
''Morávamos em um apartamento com área de lazer mas não tínhamos sossego - as crianças faziam muito barulho. Aqui o espaço é maior, e posso fiscalizar os meus filhos da janela do apartamento, já que estou no primeiro andar e de frente para a Concha'', justifica. Arthur conta que durante as férias brinca a tarde toda de futebol e skate com os amigos. ''Este espaço de lazer é melhor do que o outro prédio. Tenho mais espaço livre, o que é muito interessante para brincar de esconde-esconde'', revela. Já a irmã do estudante, Victoria, não utiliza com frequência a área de lazer. ''Prefiro ir à Catedral com as amigas para participar do grupo de jovens'', comenta.
A dona de casa Adelaide Pimentel sabe bem o que é ter crianças em casa durante as férias. ''Recebo muitas reclamações dos vizinhos por causa das andanças da criançada'', conta. Ela tem dois filhos, de sete e três anos. As descidas para brincar na Concha Acústica ocorrem mesmo quando não é época de férias. ''No final da tarde um interforna para o outro convidando para descer. Uma mãe também combina de cuidar do filho da outra, caso não possa participar do momento de diversão do filho''.
Opinião divergente tem a cabeleireira Ceci Chang sobre a utilização da Concha Acústica como área de lazer. Ela não incentiva os filhos, de 12 e 10 anos, a brincarem na área devido a falta de segurança. ''Meu filho foi assaltado por um homem armado de punhal atrás desta banca de jornal. Mesmo após a revitalização, os ladrões e usuários de drogas continuam agindo na Concha'', assegura. A alternativa, segundo ela, é levar as crianças a outros espaços considerados mais seguros, como shoppings e cinemas. Impedida de utilizar o espaço gratuito existente em frente de casa, Priscila Lopes Chang, 10 anos, brinca nas galerias do Centro Comercial quando não sai com as amigas. ''O condomínio deveria ter uma brinquedoteca, por exemplo'', sugere.
Administrando o Centro Comercial há 18 anos, Herondino Mariano, afirma que o condomínio não tem espaço para a construção de um espaço para lazer, já que a área residencial divide espaço com as salas comerciais - são 225 apartamentos e 105 lojas. ''Não há nem vagas de garagem disponíveis para todos - são 66. As pessoas acabam se acostumando'', finaliza.


