Mauro FrassonFachada do Edifício Palladium, em Curitiba: 24 andares cobertos apenas com vidros para aproveitar a luz do solPrédios com fachadas inteiramente espelhadas deixaram de ser comuns apenas nos cenários futuristas do cinema americano. Interessadas nas características ‘‘politicamente corretas’’ dos vidros metalizados - que permitem controle de luminosidade e som -, as construtoras passaram a investir no uso do material para atrair clientes mais exigentes. Além do efeito estético, as empresas de construção estão aderindo ao uso do vidro pela sua durabilidade e facilidade de conservação.
Produzidos no Brasil desde o ano passado, os vidros refletivos estão sendo usados como alternativa aos vidros coloridos - geralmente fumês e bronze - que vinham sendo usados há mais tempo no mercado da construção civil. ‘‘A transparência dos materiais transformava os apartamentos em verdadeiros fornos durante o verão’’, explica o diretor-proprietário da Engevidros, Ricardo Antunes de Macedo. Como os materiais não tinham a aplicação de resinas protetoras, todo o calor e luz eram transferidos diretamente para o ambiente interno. Hoje, o percentual de filtragem de luminosidade é de 88% e a vedação de som é superior a das janelas comuns.
Além do controle da entrada de luz, a alta tecnologia de fabricação de vidros também oferece mais segurança contra rachaduras. A aplicação de uma substância de alta densidade - o Polivinil Butiral (PVB), aplicado entre o vão de união de duas placas de vidro - permite maior resistência contra o impacto de objetos cortantes e de pressão dos ventos. Se os vidros forem atingidos por uma pressão maior do que a que estão preparados a suportar, a resina aplicada faz com que os vidros não se partam. ‘‘O efeito é o mesmo de um pára-brisas depois de ser atingido por uma pedra’’, exemplifica o diretor da Engevidros, uma das empresas curitibanas que fazem a colocação do material.
O presidente da incorporadora RJ Teige, Rubens Teige, responsável pela construção do Edifício Palladium, em Curitiba, afirma que o uso de vidros especiais costuma encarecer o custo final da obra. ‘‘Mas com a utilização de materiais nacionais esta tendência deve ser revertida’’, diz. Até há pouco tempo, estes materiais eram todos importados dos Estados Unidos. ‘‘Os problemas com a instalação também eram comuns e limitavam a sua utilização’’, afirma.

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