FACHADA: mínimo custo e máximo efeito
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de setembro de 2001
Célia Baroni<br> De Londrina 
A fachada de uma casa ou estabelecimento comercial é o cartão de visita e um referencial indispensável. Toda construção tem de ter uma identidade própria. Com esta concepção o arquiteto londrinense Guilherme Torres transformou uma casa construída nos anos 70 e sem identidade, em uma construção com características da arquitetura contemporânea que marca a paisagem da beira do Lago Igapó.
Para mudar o visual o arquiteto mexeu apenas na fachada da construção. ''A proposta era obter o máximo de efeito com o mínimo de custo'', conta. E ele conseguiu. Sem alterar a estrutura da casa, ele abriu o muro em frente à entrada formando um pequeno jardim. Usou a inclinação do terreno para criar um terraço acima do nível da rua e ergueu um pórtico de linhas retas, quase uma moldura.
Colocado à frente da parede original da casa, o pórtico em branco aparece em relevo. Efeito valorizado pela parte da parede da casa deixada à mostra. Para integrar o visual à natureza, Guilherme Torres optou pelo rústico e usou pedra mineira filetada em tons claros no revestimento da nesga de parede e do muro que sustenta o desnível do terraço que separa a casa da calçada.
Mas a beleza da composição se perde na genialidade da escolha de um simples item. O arquiteto colocou um portal feito com espelho nas duas faces na fachada da casa que agora funciona como escritório. O portal reflete as árvores e céu da praça em frente. Quem passa em frente tem a nítida impressão de que a moldura branca é oca; um portal aberto, quem sabe para outra dimensão.


