Já se foi a época em que um pouco de bom gosto e bom senso resolviam os problemas da decoração e criavam um ambiente agradável. O mesmo aconteceu em outras áreas. Hoje, a parteira só é ‘bem vinda’ se não há médico próximo ou acessível e o dentista não serve só para arrancar dente. Hoje a decoração é considerada uma técnica que tem de obedecer regras e até já reconhece o nome de arquitetura de interiores.
Mais que isto, sua utilização provou que está ligada a qualidade de vida em todo tipo de ambiente; seja ele comercial, residencial ou de lazer. Mas então; o que deve fazer quem quer decorar sozinho o seu espaço?
A boa notícia é que não é preciso enfrentar o vestibular nem cinco anos de faculdade de arquitetura. A parte não tão feliz é que, para ter segurança e conseguir um bom resultado o melhor é encarar um curso de decoração.
A orientação é da arquiteta e professora Adriana Campos, de Londrina. Ela explica que, por mais bom gosto que a pessoa tenha, a variedade de opções e a convivência com vários estilos confundem. ‘‘As pessoas gostam um pouco de tudo. São raras as pessoas que conseguem visualizar o ambiente pronto e seus vários espaços. A maioria só vê o objeto ou móvel isoladamente’’, afirma.
Mesmo com a disponibilidade de informações nos meios de comunicação (revistas especializadas, jornais, etc.) a tendência é misturar. ‘‘É preciso aprender a organizar as informações e a adaptá-las aos mais variados espaços e situações’’ afirma. Livros e revistas, diz, são importantes como complemento e para aprofundar o conhecimento.
Adriana Campos está convencida de que a decoração pode ser encarada como um hobby desde que o objetivo seja montar sozinha o seu espaço. ‘‘Lembre-se que na sua casa você pode errar e depois consertar até acertar. Casa de cliente não é laboratório e ele merece um profissional e não um amador’’, alerta.
A arquiteta admite, no entanto que se tornar um bom ‘amador’ em decoração é percorrer mais da metade do caminho para ser um profissional. Vários fatores colaboram para este fato. Culturalmente, o brasileiro começou só recentemente a absorver o conceito do ‘‘faça você mesmo’’. Ainda hoje ‘o jeitinho’ substitui a importância de se contratar um profissional ou a necessidade de aprender a fazer bem feito.
A falta de cursos específicos para leigos é também um grande obstáculo. Enquanto um curso profissionalizande de nível técnico tem uma duração que varia de um ano a dois; um curso básico para leigos duraria cerca de cinco meses. O curso profissionalizante é longo demais para quem quer ter apenas o conhecimento básico para resolver problemas domésticos.
O custo dos cursos também não são animadores. Geralmente a mensalidade gira em torno de R$ 100,00, o que significa um gasto de aproximadamente R$ 1.200,00 pelo curso todo (levando-se em conta um ano de curso). Dependendo do que se deseja fazer, a curto ou médio prazos, é mais caro que contratar os serviços de um bom arquiteto.
O lado positivo é que ‘informação não ocupa espaço’ e, se a pessoa gosta, poderá usar o curso para traduzir melhor o que quer para seu arquiteto. Afinal, como diz o ditado popular ‘‘para pedir que os outros façam, o ideal é saber fazer’’.
Para quem quer arregaçar as mangas é essencial conhecer os materiais para móveis, pisos, paredes, pinturas, etc.; ter uma boa base de estilos e épocas; distribuição de espaço; desenho e perspectiva. Sem isto, garante a arquiteta, dificilmente a pessoa vai conseguir compor o ambiente desejado com sucesso.

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