Célia Baroni
De Londrina
Tudo na vida tem um preço e ele parece sempre ser proporcional ao prazer da realização do desejo. Estamos falando do piano e do prazer de ter em casa este instrumento maravilhoso. Com, no mínimo, 1,70 metro de comprimento e pelo menos 80 centímetros de profundidade, não se pode exigir dele discrição.
Pensar em achar um lugar para o móvel nos espaços cada vez mais reduzidos das residências atuais não é trabalho fácil. A procura de soluções para este problema tem se tornado cada vez mais comum nos últimos anos. Com o reconhecimento da importância da musicalização para o desenvolvimento das crianças, o piano está voltando para dentro das casas.
Então o que fazer quando um filho decide e prova que quer mesmo tocar piano ou quando este instrumento é uma paixão em nossa vida? A arquiteta Sandra Wihby, garante que não é preciso desistir do sonho. Ela afirma que é bem mais fácil do que se imagina; mesmo para quem não pode dispor de uma sala de música ou de lazer.
O primeiro passo, diz, é não tentar esconder o piano. O seu tamanho e o fato dele ser um instrumento musical, tornam impossível fazer do piano uma peça secundária. Uma vez decidida a sua aquisição, ele passa a ser necessariamente uma das estrelas na composição da sala.
‘‘É importante lembrar que o piano é naturalmente bonito, o que permite a sua utilização como peça decorativa em qualquer tipo de ambiente’’, afirma. Uma alternativa pode ser montar o ambiente ‘‘em volta’’ do piano. ‘‘Fazer dele o ponto de partida para a disposição do restante da decoração facilita bastante para quem não dispõe de um arquiteto ou decorador’’, orienta.
A criação de um nicho para o piano é outra forma de contornar o problema do tamanho deste instrumento. Artifício interessante e eficiente, ele pode ser feito feito em gesso acartonado. Material de fácil colocação e de preço acessível, é ideal para montar um canto de música na sala.
A arquiteta lembra que não basta escolher um bom local para colocar o instrumento. ‘‘Quem quer um piano em casa é porque gosta dele, alguém da família está estudando música ou já sabe tocar’’, frisa. Por isto, diz, é preciso dar uma atenção especial à iluminação e acústica do ambiente.
A iluminação difusa, reforça, não é suficiente. O ideal é a colocação de uma arandela ( luminária de parede) próxima ao piano ou uma luminária de pé. Elas têm de ter sua luz direcionada para a partitura, evitando que a pessoa force muito a vista. Não esqueça de colocar ao lado do piano um móvel de apoio para as partituras.
O tratamento acústico das paredes e teto de casa raramente é possível. Neste caso alguns cuidados básicos ajudam a absorver o som, evitando a distorção e incômodo do som muito alto. Colocar cortinas nas janelas e um piso de madeira é indispensável. ‘‘Em um ambiente com piano, quanto mais madeira e tecido, melhor para os ouvidos dos moradores e vizinhos’’, comenta.O tamanho não ajuda, mas existem formas para harmonizar o ambiente sem abrir mão do prazer de ter este instrumento no principal espaço da casa
Cesar AugustoO piano é naturalmente bonito, o que permite a sua utilização como peça decorativa em qualquer tipo de ambienteMario CesarInstrumento exige atenção especial à iluminação e acústica do ambienteReproduçãoProjeto da arquiteta Sandra Wihby: sala em L reserva espaço para a música

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