A Dow Chemical está convencida de que tem um produto bom o suficiente para substituir o aço em pequenas ou grandes estruturas de concreto armado. A idéia que a multinacional começa a vender é que é possível erguer um prédio ou sustentar pontes com vergalhões de Fulcrum, um composto que mistura poliuretano termoplástico com fibra de vidro.
Nenhuma construtora no mundo testou a tecnologia até agora. O novo plástico já tem sido usado em esquis de neve e esquadrias de janela. Mas a Dow garante que o Fulcrum tem tanta ou mais resistência à tração do que o aço e oferece a vantagem de não ser afetado pela corrosão. Substituir o aço pelo Fulcrum em estruturas que exigem excelentes condições de segurança é um desafio tecnológico e comercial.
A indústria da construção civil não parece ter grande interesse em abandonar uma fórmula bem-sucedida apenas para experimentar uma novidade. A Dow acredita, porém, que as oportunidades poderão aparecer em algumas situações especiais. ‘‘Pensamos, principalmente, em pontes e em aplicações marítimas nas quais os efeitos da corrosão são mais graves’’, afirma Danilo Trevisan, gerente da divisão de plásticos especiais da Dow no Brasil. ‘‘Há um trabalho de convencimento a ser feito e teremos que mostrar as vantagens do produto ao mercado’’.
O Fulcrum custa o dobro do preço do aço. Mas a Dow trata de fechar alguns cálculos capazes de provar que parte dessa diferença pode ser compensada. A empresa diz que o número de vergalhões de Fulcrum necessário para sustentar uma laje qualquer é menor do que o de vergalhões de aço. Evoca também a leveza, a flexibilidade e a resistência às intempéries de seu material.
O concreto armado combina o concreto com o aço. O concreto apresenta alta resistência à compressão, ao aperto. E o aço resiste à tração. A flexibilidade do aço limita o abaulamento e sustenta uma laje. Para a Dow, o mesmo resultado pode ser obtido com o Fulcrum.
Há outros plásticos no mercado oferecidos como opções para estruturas de concreto armado. O uso do material não é, portanto, exatamente, uma novidade. Mas a diferença é que são plásticos termofixos, degradáveis em altas temperaturas e não recicláveis. O Fulcrum mistura o poliuretano termoplástico com 45% ou 55% de fibra de vidro. ‘‘As resinas termofixas são caras, difíceis de manusear e se houver algum erro na peça o material é perdido’’, afirma Trevisan. ‘‘No caso do termoplástico, se um vergalhão ficar fora das dimensões corretas, por exemplo, é só picá-lo e injetar a peça outra vez’’.
A Dow informa que chegou a contactar o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), de São Paulo, para fazer alguns testes com o material, mas a matriz norte-americana decidiu concentrar todas as análises nos Estados Unidos.
Os plásticos de engenharia são hoje a principal divisão da Dow Chemical. No ano passado, eles garantiram 28% do faturamento de US$ 19 bilhões da empresa. O grande atrativo destes produtos é a margem de lucro. Eles adicionam tecnologia e novas propriedades a plásticos tradicionais e são vendidos por um preço bem mais alto. A faixa de preço dos plásticos de engenharia, como os poliuretanos termoplásticos, os compostos de náilon ou os policarbonatos, vai de US$ 1 a US$ 8 o quilo.
O Fulcrum é um produto que ocupa uma faixa alta na tabela de preço dos plásticos de engenharia. Comparado ao aço, o Fulcrum tem densidade quatro vezes menor e é, portanto, bem mais leve. Sua resistência à tensão, na versão com 55% de fibra de vidro, é de 980 MPa (MegaPascal, uma medida de pressão).

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