Fabricante pesquisa novo uso para placas de cimento
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sábado, 15 de maio de 2004
Agência Estado 
São Paulo - A Brasilit, fabricante de telhas e caixas d'água de cimento reforçado com fio sintético (CRFS), quer dar novas aplicações às placas de cimento reforçadas com fios de polipropileno (PP). A proposta é utilizar as placas, comercializadas sob a marca BrasiPlac, em forros, pisos e paredes. ''Estamos em fase de pesquisa para saber como poderão ser executados os diferentes cortes'', diz o diretor-comercial, Paulo Roberto Lucietto.
As novas aplicações, segundo Lucietto, se tornaram possíveis em decorrência da utilização do fio de polipropileno no reforço das placas, o que conferiu maleabilidade ao produto. O insumo veio em substituição ao amianto, totalmente banido das linhas da Brasilit desde o início de 2002. ''Naquela época, não era possível pensar em novas aplicações para as placas porque o amianto virava pó com o atrito'', diz.
Por enquanto, a BrasiPlac é utilizada com mais frequência em revestimentos externos, por conta da alta resistência à umidade. Para o Uruguai, por exemplo, a Brasilit, empresa do Grupo Saint-Gobain, embarcou um lote de placas que serão utilizadas em paredes externas. ''Esse produto será muito forte em áreas úmidas, competindo com o gesso. E estará forte na população de baixa renda porque pode ser utilizado no esquema de faça você mesmo'', diz o diretor-comercial.
Os novos produtos seguem o foco de negócios da Brasilit no segmento habitacional, sobretudo popular. Nesse mercado, a empresa já tem forte atuação por meio do fornecimento de telhas de fibrocimento (sem amianto). Segundo dados da empresa, cerca de 70% da coberturas de casas populares são feitas com o material - o principal concorrente é a telha de cerâmica vermelha. ''Queremos também levar esses produtos para os segmentos médio e de luxo, áreas em que a participação dessas telhas ainda é pequena'', afirma Lucietto.
De acordo com o executivo, a Brasilit responde por 26% do mercado de telhas de fibrocimento no País. A principal concorrente da empresa é a Eternit, que comprou há alguns anos a mina brasileira de amianto do Grupo Saint-Gobain e manteve o insumo mineral como matéria-prima de seus produtos. No ano passado, a Brasilit faturou R$ 260 milhões, equivalente a 6,5% do faturamento consolidado do grupo no País. Mundialmente, a participação dos negócios da Brasilit na receita do grupo gira em torno de 0,2%.


