Exportações devem crescer até 100%
PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de janeiro de 1999
Ligia Barroso 
O impacto da desvalorização do real vai causar uma inflação média de cerca de 6,5% no custo final dos produtos para o consumidor que precisa comprar material de construção, mas, em contrapartida, deve aumentar em até 100% as exportações do setor, só por conta do ajuste cambial. A declaração é do presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção, Claudio Elias Conz.
Segundo dados da Anamaco, só no ano passado o setor de material de construção exportou US$ 600 milhões comparados a importações de US$ 200 milhões. E a previsão para este ano é de repetir o crescimento de 98, que foi de 8,5% sobre 97. Só a indústria cerâmica, que previa para 99 aumento de 40% nas suas exportações, por conta do ajuste cambial, já elevou suas projeções para 100%, diz Conz.
Em relação ao aumento, mas de custo nos produtos básicos para o setor e no mercado interno, o presidente da Anamaco é também bastante otimista: Os itens mais atingidos pela mudança cambial serão apenas aqueles que dependem da importação de componentes, como as tintas, que devem ter os preços reajustados em torno de 10%.
Independente disso, em São Paulo, o maior centro financeiro do país, os Sindicatos das Indústrias de Construção Civil (Sinduscon) e da Habitação (Secovi), a Associação Paulista de Empresas de Obras Públicas (Apeop) e outras entidades da construção também decidiram unir forças para resistir a eventuais remarcações abusivas de preços por parte de fornecedores. O presidente do Sinduscon, Sérgio Porto, disse que a idéia é iniciar uma articulação para acalmar os empresários de toda a cadeia produtiva do setor.


