O nível de qualificação dos profissionais e a diversidade dos serviços prestados fazem de Londrina referência na área da saúde polarizando uma macro-região de aproximadamente 4 milhões de habitantes. O nicho médico na cidade
concentra-se na Avenida Bandeirantes e rua Senador Souza Naves. Segundo o imobiliarista Romeu Curi, o próprio perfil das clínicas médicas, localizadas oportunamente nas proximidades de hospitais como Evangélico, Mater Dei e Hoftalon (Hospital de Olhos) determinou uma ocupação de uso mais ágil.
Contudo, o excesso de clínicas, a dificuldade em encontrar estacionamento e a valorização imobiliária praticamente esgotaram a capacidade de ocupação dessas vias. O imobiliarista Raul Fulgêncio afirma que a ausência de terreno à venda na Bandeirantes e Souza Naves dificulta o estabelecimento de seu valor. ''O mercado é altamente especulativo; vale quanto a pessoa está disposta a pagar. Porém, caso existisse terreno na Bandeirantes, o valor seria de R$ 1 mil o metro quadrado. Os hospitais são os vetores e as clínicas acabam ''acontecendo'' ao redor. Londrina é um pólo regional na área médica, com profissionais empreendedores e que prestam um serviço de alta qualidade'', justifica.
Todas estas variáveis estão influenciando na formação de novos nichos em ruas próximas a avenida Bandeirantes e rua Souza Naves, como é o caso da Martin Luther King, Romeu Dematte e Olinda, no Lago Parque. Nesta região já existem clínicas de fisioterapia, psicologia, cirurgia plástica, hospitais-dia, centro cardiológico e de tratamento do aparelho digestivo. ''Profissionais da área de saúde criam novos pólos de concentração quando oferecem charme e sofisticação, estacionamento e serviços de qualidade com um perfil mais específico de atendimento'', explica Curi. Somente este ano, o setor de tributos imobiliários da Secretaria Municipal da Fazenda expediu 60 alvarás de licença de funcionamento para estabelecimentos de saúde - sendo 50 só para consultórios - no entorno da Avenida Bandeirantes e rua Senador Souza Naves.
O hospital-dia OtoCentro está instalado há cerca de cinco meses na rua Martin Luther King. Segundo o proprietário, o otorrinolaringologista Koki Kitahara, a proximidade com centros de imagem e laboratórios foram determinantes para a escolha deste endereço. ''Os pacientes preferem que o hospital fique próximo destas estruturas pela comodidade. Se o caso exigir maior grau de especialização precisamos indicar outro colega, e é interessante para o paciente que o especialista tenha um consultório próximo ao meu'', comenta.
O médico também aponta o trânsito intenso e as dificuldades para estacionar como problemas para atender bem os clientes na Souza Naves e Bandeirantes. Já como vantagens da Martin Luther King estão a facilidade em estacionar e o valor do terreno um pouco mais barato. Contudo, revela, a ocupação destas áreas por profissionais da área da saúde está inflacionando o preço dos terrenos.
O diretor científico do Hospital do Coração, André Labrunie, concorda com a valorização imobiliária deste novo nicho. ''A Bandeirantes encheu e tornou-se inacessível. A expansão das clínicas em direção a estas ruas trouxe uma valorização imobiliária que está se tornando um problema. As pessoas querem se instalar aqui, mas têm um alto custo'', reflete.
O Hospital do Coração funciona há quatro anos na Rua Paes Leme e está em processo de expansão em direção a rua Olinda. Está em construção um novo prédio, que será interligado ao complexo Hospital do Coração/Lab Imagem, com 5 pavimentos e 3,3 mil metros quadrados de área construída. Atualmente, a instituição tem 2,1 mil metros quadrados, 11 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e 14 leitos de internamento. O investimento na obra é de R$ 5 milhões. Outros R$ 10 milhões serão investidos em equipamentos. ''A expansão ocorre na forma de polígonos dentro da quadra e isso não é somente uma questão arquitetônica, mas envolve acerto comercial. É o ônus que se paga por estarmos instalados em uma área nobre'', reconhece o cardiologista - intervencionista.

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