Ex-mutuários da Encol concluem obra
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sábado, 08 de outubro de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Seis milhões de reais foi o investimento feito por ex-mutuários da construtora Encol, em Curitiba, que decidiram colocar a mão na massa para não amargarem completo prejuízo. A construtora faliu, em 1999, e os proprietários de salas comerciais no Condomínio Triumph Center Batel, bairro nobre da capital, formaram uma associação e assumiram a obra, que foi concluída no início de setembro.
A presidente da Associação dos Proprietários do Condomínio Triumph Center Batel, Ângela Khury Munhoz da Rocha, calcula que a Encol embolsou valor próximo ao que foi necessário para concluir a obra. Cerca de 70% dos compradores das 165 salas comerciais, segundo ela, já haviam quitado os imóveis, hoje, avaliados em quase R$ 50 mil (cada unidade).
O condomínio foi lançado em 1993 e, quando a Encol abriu falência, seis anos depois, lembrou Ângela, apenas 17% da obra estava concluído. ''Era só a fundação e um esqueleto de cinco andares'', descreveu. Quando os mutuários resolveram retomar o empreendimento, em 2000, surgiu o primeiro obstáculo: conquistar, na Justiça, o direito de terminar a construção, com as escrituras em mãos e desvinculando-se da massa falida da Encol.
Outra dificuldade foi refazer todo cálculo estrutural. O projeto original previa a construção de 22 andares. ''Era um pseudoprédio que estava todo ensopado. A gente não sabia se a estrutura existente aguentaria'', afirmou Ângela.
O condomínio precisou fazer alguns malabarismos para conseguir o dinheiro necessário para a conclusão da obra, já que apenas metade dos proprietários originais se dispôs a tocar o empreendimento e nem todos honraram com o pagamento. Segundo Ângela, algumas salas foram vendidas em leilão extra-judicial e os próprios condôminos colocaram dinheiro para financiar outras salas. Por essa dificuldade, a obra que demoraria três anos para ficar pronta levou cinco anos, lembrou ela.
Arrumar compradores para salas que tinham o ''carimbo Encol'' não foi tarefa fácil, destacou Ângela. Mas todo o esforço despendido acabou valendo à pena, já que hoje há uma única sala e uma vaga de garagem ainda à venda. O restante do prédio foi vendido e alguns condôminos já estão ocupando as salas ou colocando para locação.


