Da Redação
Trabalhar com fundações é atividade que envolve muitas incertezas, porque depende das condições do solo. Muitas vezes, profissionais da área exageram na estrutura das estacas para evitar qualquer possibilidade de erro e acabam aumentando os custos da obra.
Com o objetivo de oferecer fundações mais econômicas e ao mesmo tempo seguras, a empresa londrinense de engenharia – Politécnica –, desenvolveu um campo experimental para realização de provas de cargas que verificam a capacidade de estacas escavadas de pequeno porte.
O primeiro ensaio foi realizado em um terreno de 5m x 9m com características típicas da região de Londrina – argila vermelha porosa mole a dura nos primeiros metros e alteração de rocha amarela e rosa rija depois de 13 metros. Com seis metros de comprimento e 25 cm de diâmetro, as estacas foram submetidas a uma carga de 50 toneladas – peso equivalente a um sobrado.
As fundações foram confeccionadas pela estaca escavada rotativa, uma nova tecnologia que substitui o bate-estaca tradicional. Este novo equipamento é mais leve e evita a lama e a sujeira causadas pela tecnologia anterior. O carregamento foi feito até alcançar o rompimento da estrutura, que aconteceu depois da submissão a 32 toneladas. Normalmente, fundações com essas dimensões são projetadas para suportar até oito toneladas, ou seja, há um excedente desnecessário na estrutura das estacas.
A engenheira civil Rebeka Ribas Cesar, sócia-diretora da empresa, explica que o experimento é importante porque permite testar as estacas até o rompimento. ‘‘A pesquisa vai indicar a possibilidade de realizar fundações menores, porém seguras, visto que cada estaca é testada quatro vezes’’. Até o momento, a Politécnica utilizava padrões pré-estabelecidos para determinar o coeficiente de segurança; agora, parte dos resultados obtidos em seu campo experimental, o que pode significar também maior economia no projeto estrutural.
A implantação de um campo experimental financiado pela iniciativa privada constitui experiência inovadora. Os testes inclusive fazem parte da tese de mestrado que a engenheira desenvolve na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.
‘‘Investimos nesses ensaios porque acreditamos que os resultados trarão benefícios comerciais para a empresa. O aperfeiçoamento científico depende mais de boa vontade do que dinheiro, nesse caso, porque utilizamos a própria estrutura da Politécnica. Os procedimentos da pesquisa são os mesmos usados em projetos comerciais’’, argumenta Rebeka Cesar.
Os experimentos não devem parar por aqui. Um outro campo está sendo desenvolvido para testar diâmetros mais profundos, envolvendo estacas entre oito e 12 metros. E a próxima etapa da pesquisa inclui testes em solo colapsível – ou encharcado – normalmente submetido a tempestades e enxurradas. ‘‘Pouca gente sabe que as fundações são as principais responsáveis pelos vazamentos nas obras. As estacas devem ser dimensionadas inclusive para resistirem a situações de encharcamento’’, observa a profissional. (Colaborou Carolina Avansini)Empresa de engenharia cria campo experimental para detectar parâmetros de segurança para as fundações em solo de Londrina
DivulgaçãoMAIS LEVEO equipamento estaca escavada rotativa substitui o tradicional bate-estacaDivulgaçãoProva de carga determina qual a capacidade das estacas para as fundações das construções

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