Estudantes antecipam locação de imóveis
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domingo, 22 de janeiro de 2006
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
Para o vestibulando migrante a concorrência não termina com as provas. A desejada aprovação implicará na mudança de cidade, novos gastos e preocupação. A ansiedade desses jovens é estendida à família que, em certos casos, loca imóveis antes do resultado. ''A maioria é de estudantes que deixará a casa dos pais mesmo para fazer um cursinho'', disse o encarregado administrativo Bruno Augusto de Castro Silva, da imobiliária Barreto, em Londrina.
Os candidatos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) que constituem a maioria dos migrantes da cidade começaram a procura, em dezembro, após a divulgação dos aprovados na primeira fase do vestibular. Desde então, as consultas às imobiliárias são constantes. A preferência são apartamentos no centro, de um a três quartos, com aluguel e condomínio até R$ 500,00. ''No momento, temos poucos imóveis com estas características disponíveis para estudantes. A maioria foi alugada ou está em prédios que não aceitam repúblicas'', comentou o corretor Rogério Juliato, da Câmara de Imóveis.
O barulho é a principal justificativa dos síndicos que recusam a instalação de estudantes em seus condomínios. Inspirada nessa intolerância, a construtora Construblock ergueu 14 blocos de três andares, servidos de 20 lojas, piscina, churrasqueira, quadra de esportes, portaria 24 horas e circuito interno de TV, vizinhos ao campus da UEL. O empreendimento é composto de 224 apartamentos semimobiliados, com um ou dois dormitórios, construídos há cinco anos e aceitam fiadores de outros municípios, desde que apresentem comprovante de renda compatível com o aluguel e, pelo menos, um imóvel quitado no próprio nome.
''Nenhum deles está à venda porque não queremos misturar famílias com universitários. As rotinas são muito diferentes e conflitam entre si. O máximo permitido são professores e funcionários'', disse Augustinho Jacomini, síndico e administrador da Cidade Universitária de Londrina. ''Por enquanto, temos recebido muitos e-mails de consulta para apenas 40 imóveis disponíveis'', completou.
Na opinião do imobiliarista Luiz Maruyama, da imobiliária CNI, o universitário é um ótimo cliente porque não gera inadimplência. Eles podem até ser os locatários, mas seus fiadores são sempre os pais. Nas empresas de Maruyama e Silva, os universitários correspondem a 30% da clientela. ''A própria lei diz que é proibido a restrição de locatários. Além disso, nosso comércio e prestadores de serviços dependem muito deles. É uma incoerência dificultar sua instalação na cidade'', reforçou Maruyama que, até março, aluga metade dos imóveis que administra para estudantes. ''Precisamos ser cautelosos para o nosso bem e do proprietário, mas temos que ser flexíveis também. A burocracia não pode impedir o desenvolvimento do mercado'', acrescentou Silva.


