Estante e rack têm funções similares
Célia Baroni
As estantes mudaram tanto no tamanho - altura e largura - e nas formas que o leigo não sabe mais diferenciar uma estante de um rack - móvel criado há cerca de duas décadas para servir de apoio a eletroeletrônicos (televisão, som, etc). Os racks, por sua vez, também mudaram, aumentando a confusão. Inicialmente com uma estrutura simples, feita para ser quase invisível e acomodar apenas eletroeletrônicos, eles ganharam design e passaram a ter multiutilidades.
Resultado: ficaram as dúvidas. A estante pode ser substituída pelo rack, ou vice-versa? Qual é o lugar da estante, e do rack? Quando um móvel deixa de ser rack e passa a ser estante? Na análise do arquiteto Guilherme Torres, a diferença entre um e outro é simples; é uma questão de mobilidade. A estante permanece fixa a maior parte do tempo. Só muda de lugar quando a pessoa quer mudar a decoração. Já o rack tem como atributo indispensável a mobilidade, define.
Outra diferença entre a estante e o rack está na capacidade de guardar objetos diferenciados. O rack, diz, tem um limite pequeno e é feito basicamente para receber os aparelhos eletroeletrônicos e, eventualmente, um ou outro enfeite. Já a estante tem como finalidade principal guardar volumes - livros e objetos.
Torres explica que estas definições são básicas e admite que há motivos para confusão. Os móveis evoluem através de propostas para adequar o seu uso às novas necessidades de espaço e conforto. Por isto é normal aparecerem modelos resultados do casamento de duas ou mais peças, frisa.
A disponibilidade cada vez menor de espaço dentro das residências funciona como impulso para a modificação dos móveis. Hoje, a maioria das pessoas não tem espaço para ter dois móveis com funções similares. Tem de optar por um ou outro, afirma. Na hora da escolha, diz, vale o bom senso. A estante ainda é a melhor opção para quem tem muitas coisas para guardar. O rack é perfeito para ambientes pequenos ou salas de televisão onde só cabe o básico.
Ele conta que a estante tem suas raízes na Holanda, e foi um dos primeiros móveis a ser desenvolvido aliando a comodidade e funcionalidade. Na Idade Média não havia praticamente nenhum móvel. A decoração dos filmes é apenas figurino, não tem respaldo histórico. As pessoas dormiam no chão, em cima de tapetes ou montes de palha e os reis sentavam-se em bancos. Não havia tronos, relata.
Torres está escrevendo um livro sobre decoração de ambientes que deverá ser editado através de uma parceria com o Senac no primeiro semestre do ano que vem. Com o título provisório de Minha casa com estilo, o livro vai reunir orientações sobre decoração e a história da evolução dos móveis e objetos que usamos hoje em nossas casas.
Sobre a estante, por exemplo, conta que nasceu na cozinha, em meados do século 18 para guardar alimentos. Era um móvel tosco com prateleiras de madeira e suporte lateral. Da estante para o armário foi um pulo. Adequaram portas à estrutura original também com o objetivo de proteger os alimentos. É preciso lembrar que, naquela época, os livros eram uma raridade e os objetos um luxo, explica. Ela só ganhou a sala e o escritório muito mais tarde, depois de levada para países como França e Itália onde seus contornos ganharam refinamento e formas mais rebuscadas.Diferença básica entre as duas peças é a mobilidade. Independente do gosto, o rack só resolve quando o objetivo é servir de apoio a eletroeletrônicos
fotos: Dorico da SilvaDiferençasO rack tem um limite pequeno e é feito basicamente para receber os aparelhos eletroeletrônicos. Já a estante, tem como finalidade principal guardar livros e objetosEstante em alvenaria e rack: casamento de peças para espaços pequenosO rack é perfeito para ambientes pequenos ou salas de TV onde só cabe o básico





