De longe a construção parece casinhas de formiga ou ocas, as cabanas dos índios. De perto porém, fica claro que o lugar foi construído para abrigar pessoas que buscam conforto e inovação. Os detalhes exóticos com pitadas da arquitetura antiga sempre acompanharam os trabalhos do arquiteto Isabelino Aguilera Mendes. E não poderia ser diferente quando há 15 anos desenvolveu o projeto da casa onde hoje está sendo realizada a Arqui.Tec 2004.
Às margens do Lago Igapó (área central), a residência leva traços da arquitetura árabe e teve parte de sua área de lazer edificada em forma de abóbada: tipo de cobetura encurvada, construída geralmente com pedras ou tijolos. O espaço, com entrada pela parte principal da casa, foi dividido em ambientes para praticar ginástica, curtir uma boa música, meditar e, principalmente - como disse o arquiteto- , se renovar e restaurar. As ''alas'' são de tamanhos diversos e ligadas uma às outras como num labirinto.
Para o desenvolvimento do projeto, Mendes contou com a colaboração fundamental do jornalista Celso Arão, proprietário do imóvel, já falecido. ''Na época nós conversamos sobre arquitetura e chegamos à conclusão de que esse é um trabalho que precisa ser sempre inovador e diferente'', lembrou. ''Ele aceitou a idéia. Nós viajamos e sonhamos um pouquinho'', frisou o arquiteto, que já havia projetado uma residência nos mesmos moldes, no Paraguai.
As abóbadas, contou, são característica da arquitetura árabe. A curvatura, segundo Mendes, é usada frequentemente para vencer os vãos e permitir que as construções sejam mais altas ou baixas. Além disso, dependendo dos materiais utilizados, os custos com a edificação podem diminuir. Pelo sistema original, como foi feito na residência aqui em Londrina, a forma é feita de madeira, depois são aplicados os tijolinhos e em seguida colocada uma malha de arame para sustentar o concreto.
A cobertura, no entanto, pode ser feita com outros materiais como, por exemplo, estrutura metálica no lugar da madeira. Parte do projeto, segundo Mendes, foi modificado, pois durante alguns meses ele teve que viajar e um outro arquiteto deu continuidade aos trabalhos. Porém boa parte do que ele tinha pesando foi mantido. O jornalista Celso Arão morou na casa até sua morte em julho de 1992.

- A Arqui.Tec 2004 que está sendo realizada na residência ao lado do lago segue até o dia 3 de outubro. Os ingressos para a feira custam R$ 5

mockup