Espaço é bom mas gera transtornos
As donas de casa Grehtgiriht Vasconcelos e Inês Savioli Kemp são vizinhas de esquina há quase 30 anos e ambas concordam que a posição espacial é desagradável. O problema é a proximidade em relação ao centro de Londrina que, com o passar dos anos, expandiu-se e necessitou dos arredores para desafogar o trânsito e ampliar o comércio. ''Os ônibus trocam a marcha na direção do meu quarto, a rapaziada aproveita a reta da Uruguai para acelerar os motores, o falatório nas ruas estende-se pela madrugada e atrapalha o sono de todos os moradores'', reclamou Inês que, em parceria com os pais, construiu um espaçoso sobrado para a família no cruzamento das ruas Uruguai e Jorge Velho, na Vila Brasil.
Grehtgiriht desistiu de vender sua casa porque não encontra interessados em pagar R$ 80 mil pelo imóvel. Segundo ela, as propostas não passam de R$ 35 mil. ''Eles dizem que a casa é de madeira e antiga, portanto, não vale o que peço. Com o dinheiro que oferecem não compro outra casa na mesma região e viver longe do centro não quero'', explicou a viúva. Neste caso, o imóvel é parte da história de sua família, que nasceu ali há 45 anos. Roubada duas vezes no período de 30 dias e sem recursos para construir um muro, Grehtgiriht teme a violência, mas abomina a idéia de viver em edifícios. Atualmente, seus únicos companheiros são um gato e um cachorro que, para ela, não viveriam bem num apartamento. ''Vou continuar aqui até Deus quiser'', declarou. (B.R.)





