O projeto, realizado em parceria pelas arquitetas Cristina Barutta e Teba Godoy, define áreas integradas para o convívio social, mantendo a privacidade nos aposentos para o trabalho e descanso






Conforto, privacidade e espaços personalizados. Hoje, pré-requisitos quando o tema é moradia. No entanto foi preciso tempo, e muito, para que os espaços internos da morada familiar oferecessem também comodidade doméstica. Até o século XVIII, por exemplo, a cadeira era utilizada apenas na função para a qual foi criada: impor autoridade, a quem estivesse sentado. E a privacidade, principalmente nos dormitórios, também era privilégio dos nobres ou dos mais abastados. O comum, em uma casa-padrão de uma família também comum (e por isso mesmo, com muitos filhos) eram as grandes camas quadradas (3 m x 3 m) em que dormiam até 6 pessoas.
O respeito à individualidade e as mudanças ocorridas ao longo dos séculos no comportamento, hábitos e desejos familiares, somados ainda ao processo de industrialização e o acesso, cada vez mais fácil, à informação global, refletiram diretamente na habitação. Hoje, estudos mostram que o conceito de morar bem significa, acima de tudo, suprir boa parte das necessidades relativas ao conforto, bem-estar e saúde. E o princípio é válido para qualquer que seja a metragem.
Projetos personalizados Os projetos arquitetônicos de interiores são, portanto, recursos para as possibilidades de criar, moldar, definir e personalizar estes espaços. Oferecer, por exemplo, alternativas de espaços em desalinho, cores vibrantes e despojadas a jovens e adolecentes que, na moradia individual, preferem à pouca mobília, equipamentos de som, vídeo e demais recursos de alta tecnologia. Aos moradores ‘singles’, adultos e na maioria das vezes já com uma história de vida em família, espaços integrados, mas delimitados o suficiente para preservar os aspectos íntimos, pessoais e ou profissionais.
O projeto (veja ilustrações) realizado pelas arquitetas Teba Godoy e Cristina Barutta, concretizou o desejo de moradia de uma cliente, 50 anos, profissional liberal, que vive só. ‘‘Ela vai construir, depois de muito tempo, a casa que sempre idealizou’’, comentam as profissionais. Projetada em dois pavimentos, a nova moradia vai permitir à futura moradora desfrutar da convivência social sem interferência na ala íntima. Esta, por sua vez, foi adequada totalmente às necessidades apresentadas pela cliente. ‘‘Como ela trabalha também em casa e, às vezes, até mais tarde, gostaria que o quarto estivesse diretamente ligado ao escritório, que por sua vez estará equipado com uma mini-copa, para eventuais lanches durante as horas de trabalho,’’ completam as arquitetas.

mockup