Escritórios ganham referências do lar
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de maio de 2000
Célia Baroni 
Uma das coisas que mais chama a atenção nos ambientes da MD&I deste ano, dedicada aos escritórios, é a preocupação dos arquitetos e decoradores em criar um espaço mais personalizado e aconchegante. Definitivamente os escritórios não são mais os mesmos, estão mais humanos.
Eles deixaram o ar futurista de lado para adotar uma nova postura frente ao trabalho e ao cliente. Não abriram mão da funcionalidade e praticidade e eficiência. E ganharam referências claras do lar. Tudo para enfrentar com mais conforto o trabalho e poder receber melhor o cliente.
A marca registrada dos ambientes da MDI Office, na maioria das vezes, não é a de uma pessoa imaginária. O dono do escritório tem nome e endereço. Seu gosto e estilo estão em cada canto do escritório. Hoje a abordagem do escritório é outra. Ele deixou de ser um espaço apenas de trabalho, para se tornar o local onde se passa quase todas as horas do dia e, as vezes da noite também, afirmam os arquitetos Marilda Marchiori e José Carlos Reppete.
A mudança, dizem, foi necessária. Com jornadas cada vez mais longas, o escritório convencional deixou de atender às necessidades dos profissionais liberais e empresários. Tornaram a ida para o escritório em algo pesado e pouco estimulante. A solução foi a mistura local de trabalho com residência.
O espaço projetado pelos arquitetos Marilda Marchiori e Carlos Reppete, que teve como tema O escritório do arquiteto evidencia esta mudança de abordagem. Em primeiro lugar, no escritório criado para eles mesmos, não há recepcionista. Nós mesmos fazemos questão de receber nosso cliente, esclarece Carlos Reppete.
O visitante ou cliente entra diretamente no escritório onde divisórias visíveis ou invisíveis delimitam os espaços de uma sala de espera, sala de reuniões e a área do escritório propriamente dita. O clima de mi casa, su casa, é fortalecido com a colocação de uma minicozinha, com ares de expositor, na sala de recepção. Ela permite servir o cliente sem se afastar dele.
Marlene Marchiori explica que atualmente, quase todos os tipos de trabalho exigem um estreitamento da relação entre o cliente e o prestador do serviço. É neste momento que se estabelece o vínculo de confiança entre os dois ladoscomenta. A proposta dos dois arquitetos para a recepção está mais para uma descontraída sala de bate-papo.
A pequena sala de espera é separada dos demais ambientes por um pedaço de parede de gesso centralizado que deixa entradas laterais. Através das aberturas laterais de suas mesas de trabalho, é possível a visualização de quem entra no ambiente.
O mesmo pedaço de parede que mostra os limites da sala de espera, é usado, do outro lado, como nicho de um armário. Ele abraça a sala de reunião dando privacidade e serve ao local onde os arquitetos estudam e preparam os projetos. A única divisão entre estes dois espaços é o tapete que apoia a mesa de reunião.
A base de todo o escritório é o branco. Eles deixaram as cores para objetos e detalhes decorativos como telas, vasos e objetos pessoais. Com poucos móveis, criaram um escritório simples, contemporâneo e muito agradável.


