Para comprar a cadeira certa é preciso tempo, paciência e também orientação de quem entende do assunto. O arquiteto Guilherme Torres explica que a opção por cadeiras ‘‘pequenas’’ deve ser descartada. Vai contra a arte de receber bem, diz, porque as pessoas têm de ficar se equilibando em cima de uma base pequena. É também desagradável para pessoas grandes. ‘‘Elas ficariam desajustadas ao ambiente. Se sentiriam maiores ainda e ficariam com medo de quebrar o móvel’’, esclarece.
A ousadia e design muito arrojados também devem ser deixados de lado quando a idéia é compor a mesa de refeições. Ele lembra que quando a cadeira tem muita informação ela cansa porque a mesma informação é repetida várias vezes em volta da mesa. Prefira as cadeiras de design já consagrado como as vaciles e as Le Corbusier disponíveis nos designs macho e fêmea.
O ideal é optar por cadeiras de braço. Elas são mais confortáveis e oferecem apoio para sentar e levantar. Sugerem ainda uma refeição tranquila, sem pressa de acabar, sendo perfeitas para quem gosta de conversar à mesa. Além de tudo isto, elas podem ser colocadas na sala sem prejudicar a decoração, completando o número necessário de assentos em caso de visita.
Porém, nem sempre é possível ter todas as cadeiras da mesa com braços. Se o tamanho do ambiente não suportar, coloque apenas duas delas – uma em cada ponta da mesa (cabeceira).
É importante lembrar que para colocar cadeiras na cabeceira, a mesa precisa ter pelo menos 1,10 metro de largura. A composição tem de respeitar a necessidade da família e a circulação do ambiente.
Misturar modelos de cadeiras também é uma opção interessante. Mas exige cuidado e quase sempre só dá certo quando a escolha é acompanhada por um arquiteto ou decorador. Mais de três tipos de cadeira em uma mesa de seis lugares é ‘‘carnaval’.
Ter uma mesa com as cadeiras diferentes uma da outra é uma ousadia que só cabe bem na casa de colecionadores de cadeiras. A regra básica para a sala de refeições é compor com bom senso, sem carregar no número de informações.
O estofamento das cadeiras também merece uma atenção especial, ressalta Guilherme Torres. A melhor forração é o couro. É um material resistente, sempre elegante e atual. ‘‘Só tome cuidado com a qualidade do couro porque existem couros no mercado que não são bons para forração de cadeiras’’, alerta o arquiteto.
Em segundo lugar em qualidade está a seda própria para estofados – a seda utilida para roupas não serve. Embora a seda pareça um tecido delicado, o fio de pura seda tem uma resistência equivalente e até maior que o aço. Nos dois casos – couro e seda – o custo é alto, mas Guilherme Torres garante que a durabilidade e beleza compensam o investimento.
Outra opção que também traz bons resultados é a utilização de tecidos de fibras naturais em tons neutros. O grande trunfo, no entanto, são as cadeiras vestidas (com capa). Torres revela que este é o seu recurso favorito porque elas combinam com qualquer ambiente e deixam a sala de refeições em estado permanente de beleza. Quanto ao veludo, esqueça. O tecido é quente demais para o nosso clima; suja com facilidade e é muito difícil de limpar.

mockup