Curitiba Uma escola pública totalmente projetada para o atendimento de alunos com deficiência. Um modelo assim já existe em Curitiba e foi inaugurada no dia 17 de março, no bairro Capão Raso. A Escola Municipal de Educação Especial Tomaz Edison de Andrade Vieira, com 3.149 metros quadrados é, segundo a prefeitura, a maior unidade do país nessa especialidade. A instituição tem capacidade para atender 450 alunos de zero a 30 anos com deficiência mental (severa e moderada), associada ou não a deficiências motoras. Essa é a terceira unidade especializada da rede municipal de educação. As outras duas funcionam em prédios adaptados.
O arquiteto do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Mauro Magnabosco, que projetou a escola, destaca o trabalho conjunto entre o Ippuc e a secretaria de Educação. Enquanto os professores apontavam as dificuldades e as necessidades, os técnicos do instituto tentavam resolver isso na planta.
Antes de se debruçar no projeto, Magnabosco visitou várias escolas para deficientes mentais. ''Durante minha pesquisa, observei que eles tinham deficiência, mas habilidades extremas'', comentou. Entre essas habilidades estão o desenho, a pintura, a memorização e assim era preciso criar espaços adequados para que as crianças desenvolvessem esses sentidos mais aguçados.
O projeto é cheio de peculiaridades e vai além de rampas para acesso de cadeirantes ou banheiros e fraldários adaptados. Nenhum detalhe foi esquecido. ''Como são alunos dispersivos, utilizamos mais as cores claras'', conta. Muitas crianças não têm noção de altura e profundidade, por isso os degraus são sinalizados. O guarda-corpo das rampas também são mais altos. As salas de aula para, 12 alunos, são superventiladas, com janelas dos dois lados.
Ainda na pesquisa de campo, Magnabosco percebeu que os alunos com deficiência mental têm intensa atividade recreativa na área externa Por isso, um amplo pátio coberto foi construído. E para que o barulho das brincadeiras não chegassem até a sala de aula e atrapalhasse a concentração, o arquiteto criou uma barreira física, no caso, os sanitários, entre o pátio e as salas de aula.
O prédio tem ainda biblioteca, duas salas de informática, auditório para 60 pessoas, salas para fisioterapia, acompanhamento psicológico, pedagógico, fonoaudiológico, avaliação auditiva e visual e serviço social.
A elaboração do projeto demorou três meses e a construção levou cerca de um ano. Junto à escola foi construído um Centro Municipal de Atendimento Especializado que recebe, no contraturno, crianças de escolas regulares com dificuldades de aprendizagem.

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