Escalada do preço do aço pode reduzir número de obras
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de janeiro de 2005
Agência Estado 
São Paulo - A alta prevista do preço do vergalhão de aço, utilizado largamente na estrutura das edificações, terá impacto direto no número de obras executadas no País, alerta o vice-presidente de Economia do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), Eduardo Zaidan. ''Se houver alta exagerada, será menor o volume de obras'', avisa.
No ano passado, segundo levantamento do sindicato, o vergalhão de aço e o tubo de cobre foram os vilões da cesta de materiais, com elevações de preço de 42,2% e 62,91% respectivamente, e tiveram peso fundamental na variação dos custos das construtoras com materiais no período (12,92%). ''Os demais itens da cesta, excetuando-se os metálicos, tiveram variação bem próxima à inflação média ou menor, o que não é ruim'', explica Zaidan.
Além de reduzir o número de obras, ressalta Zaidan, a elevação dos custos com material de construção pode resultar no não cumprimento de contratos. ''As construtoras determinam o valor do contrato a partir de estimativas de variação do custo. Quem estimar um reajuste inferior ao praticado no mercado e não tiver como compensar uma alta mais forte, não vai conseguir entregar a obra'', analisa.
Neste início de ano, as construtoras estão ainda mais apreensivas quanto ao movimento das mineradoras e siderúrgicas. A Companhia Vale do Rio Doce confirmou semana passada que vai pedir reajuste de 90% no valor do minério de ferro, insumo básico para produção do aço. A expectativa é de que esse anúncio vai gerar um efeito cascata, que chegará às contas das construtoras. ''O aço é um insumo insubstituível, de forma que tem grande impacto principalmente nos custos de execução de obras residenciais e comerciais usuais (com padrão normal de acabamento)'', afirma Zaidan.
De acordo com levantamento do SindusCon-SP, que pesquisa mensalmente o preço de 70 insumos da construção, nos últimos quatro anos o aço teve elevação de 196,4% e o tubo de cobre, 104,4%, enquanto o IGP-M apresentou variação 69,03%.


