Equipamento garante rapidez e segurança
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sábado, 09 de agosto de 1997
Iara Lessa 
DivulgaçãoUma nova tecnologia acaba de invadir os canteiros de obras. Em Londrina, um grupo de engenheiros civis se reuniu e está importando a máquina perfuratriz R-622, fabricada pela empresa italiana Soilmec, para realizar, com rapidez e segurança, um tipo inovador de fundação conhecida por estaca Hélice Contínua Monitorada.
Segundo explica o engenheiro civil Carlos José Costa Branco, a máquina permite, através de um sistema que utiliza uma série de hélices que são completamente monitoradas por computador, fazer fundações de até 24 metros de profundidade com total segurança. O que é preciso analisar para fazer uma fundação é o perfil do solo, sua resistência, o nível da água e a carga que vai sobre essa fundação. A R-622 é ideal para terrenos com água próxima já que todo o trabalho pode ser feito sem a presença humana, eliminando o risco de acidentes que podem ocorrer numa situação como essa.
O engenheiro, que também é docente da Universidade Estadual de Londrina (UEL), explica que a técnica de fundação mais utilizada na região Norte do Estado é o tubulão a céu aberto, onde um poço é cavado manualmente formando uma base onde acontece a concretagem. Nesse método o operário tem que trabalhar dentro do poço, muitas vezes colocando em risco sua segurança.
DivulgaçãoA perfuratriz importada da Itália, que começa a fazer fundações em obras de Londrina. Ao lado, esquema de funcionamento da máquinaO novo equipamento, além de vencer as dificuldades dos terrenos com água, permite ainda uma incrível redução de tempo (em muitos casos o trabalho que levaria meses é feito em apenas uma semana), ruído e vibrações.
A máquina utiliza um sistema de hélices que são cravadas na terra. Essas hélices, que são capazes de perfurar até rochas brandas, são retiradas da escavação ao mesmo tempo em que o concreto vai sendo lançado na fundação. Um monitor, acoplado à perfuratriz, vai mostrando através de gráficos o perfil da fundação. Esse processo de hélice continuada já é antigo mas era difícil de ser utilizado pois era um trabalho às escuras. Com o monitoramento eletrônico o serviço vai sendo mostrado facilitando a visualização do processo, conta Costa Branco.
O engenheiro projetista acredita que embora as vantagens da nova máquina sejam grandes, ela ainda é pouco utilizada no Brasil (centros como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba ela já é conhecida) devido aos custos. Em terrenos onde o nível de água não é tão próximo, os tubulões a céu aberto ainda são muito utilizados sem problema algum, explica. Costa Branco destaca, ainda, a segurança no trabalho. Segundo explica, em países como a Argentina as leis trabalhistas proíbem que operários desçam às fundações. No Brasil a Norma Regulamentadora nº 18 (NR18), também deverá estabelecer essa regra, que poderá se adiantar com o Mercosul. A nova perfuratriz é uma opção para atender essa exigência.
A R-622, que chega ao Brasil importada pela empresa paulista Geofix Fundações, realizará as fundações de duas obras, uma da Construtora Serteng e outra da Galmo Engenharia e Construções, que também estão envolvidas na importação da máquina.
Para mostrar todo o potencial da máquina haverá uma palestra (ainda com data e local a serem marcados) com o engenheiro civil e diretor técnico da Geofix, Urbano Rodriguez Alonso. Ele,que também é professor da FAAP e tem diversos livros sobre fundações editados no Brasil e no exterior, falará sobre as vantagens da utilização da fundação com Hélices Contínuas e Monitorada.


