Engenheiros pecam ao estimar custos
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de agosto de 2004
Betânia Rodrigues<br> Reportagem Local 
É inacreditável, mas a maioria dos engenheiros civis e arquitetos atuantes no Brasil calcula o custo da obra pelo 'chutômetro'. Uma fórmula simples, conhecida como BDI (Benefícios e Despesas Indiretas), eliminaria o risco de desperdício ou paralisação das obras. A operação consiste na divisão do lucro pelos gastos como, por exemplo, mão-de-obra, impostos, telefone, energia elétrica, etc. ''O planejamento de custos é importantíssimo para qualquer empresa que pode perder uma concorrência ao errar para mais ou parar a obra quando errar para menos'', afirma Paulo Roberto Vilela Dias, presidente do Instituto Brasileiro de Engenharia de Custo (Ibec) e mestre em engenharia civil. Na semana passada, ele coordenou um curso sobre Orçamento de Obras e Cálculo do BDI para, aproximadamente, 50 pessoas no Clube de Engenharia de Londrina (Ceal).
O desinteresse pela engenharia de custos possui raízes na própria graduação que explora muito pouco o assunto. De acordo com o empresário Marcello Fabbian Teodoro, diplomado há sete anos pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), os alunos dedicam-se mais às disciplinas técnicas e esquecem que um dia poderão também ser responsáveis pelo orçamento. Foi exatamente isso que aconteceu com Teodoro quando ele decidiu abrir uma construtora. ''Faço tudo aqui, mas o orçamento é a tarefa mais difícil. Para facilitar meu trabalho, decidi estudar com a ajuda de um software específico'', disse Teodoro.
Rodrigo Galli, engenheiro civil da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab), está mais habituado à função, mas confessa que precisa aprofundar seus conhecimentos sobre o tema. ''O mercado está muito competitivo e custo baixo é imprescindível para vencer a concorrência. Mas, conquistar a preferência sem abrir mão da qualidade exige que o contratante também conheça a fórmula do BDI'', completou Teodoro ao frisar a importância da conscientização da categoria.
O Ibec é membro do Conselho Internacional de Engenharia de Custos e funciona há 25 anos no Brasil. Sua missão é difundir o conhecimento e arrebanhar profissionais capazes de transmiti-lo a outras pessoas. Entre seus principais parceiros está a Universidade Federal Fluminense (UFF) que oferece pós-graduação em engenharia de custos em 10 Estados para mil alunos. Dias é um dos professores itinerantes que, a partir de outubro, poderá incluir Londrina no roteiro de aulas. O curso dura 19 meses e os encontros acontecem um final de semana por mês. Até agora, apenas um turma de Curitiba concluiu o programa.
Mais informações sobre o assunto poderão ser obtidas no site www.ibec.org.br. ou no 3º Congresso Íbero Americano de Engenharia de Custos que acontece de 2 a 6 de novembro, no Rio de Janeiro (RJ).


