A volta da inflação vai exigir um controle mais rigoroso do orçamento. Para quem mora em prédio, a administração do dinheiro costuma ser mais complicada por conta da variação das despesas com o condomínio. Além da imprevisibilidade dos gastos, em geral a principal queixa refere-se ao elevado valor do condomínio. Há casos em que a taxa supera, por exemplo, o aluguel pedido pelo imóvel. Mas apenas ficar queixando-se do síndico ou da administradora não vai resolver a questão: será necessário ser mais participativo, em assembléias ou na conferência e no questionamento dos balancetes.
Os problemas são tão numerosos e frequentes que o Secovi-SP, o sindicato da habitação, vai promover em maio um encontro nacional para discutir e buscar soluções. O 2º ENACON será realizado nos dias 17 e 18, no Meliá São Paulo Convention Center.
Na Grande São Paulo, por exemplo, boa parte dos 5 milhões de moradores em 25 mil edifícios residenciais reclama do condomínio alto. Pouca gente sabe, porém, se o que é cobrado é exagerado ou não. No Paraná, só em Curitiba são mais de 8 mil condomínios, pesquisados mensalmente pelo Secovi-PR, refletindo a mesma preocupação.
ReproduçãoEspecialistas em direito imobiliário dizem que a taxa de condomínio adequada para garantir uma boa manutenção e o valor de mercado para o imóvel deve corresponder a 0,25% do preço de venda da unidade. Por exemplo, se um apartamento vale R$ 100 mil, um valor adequado de condomínio seria de R$ 250,00, calculam.
Teoricamente, quanto maior o número de unidades, menor a taxa. Mas, na prática, para que esse raciocínio se aplique, é necessário um controle rigoroso do quadro de pessoal. Carlos Luciani, vice-presidente de Administração de Condomínios do Secovi-PR lembra que a folha de pagamento compromete, pelo menos, 50% da arrecadação do condomínio.
‘‘Se você constatar que, pelos padrões do seu edifício, a taxa de condomínio está alta, convém inteirar-se da situação. Não tenha receio em perder alguns minutos para entender e analisar boletos e balancetes mensais do edifício. Esse esforço poderá resultar na identificação de eventuais irregularidades e importante redução de despesa’’, diz.
Outro importante fator citado por Luciani: ‘‘Como em Curitiba apenas 23% dos oito mil condomínios são administrados por empresas especializadas - na maioria das vezes é o síndico o administrador - o comprometimento de altos valores para folha de pagamento pode ser também em decorrência da contratação equivocada de funcionários, o pagamento irregular de horas extras, trabalho noturno e o desconhecimento de normas básicas de administração’’. O diretor do Secovi conclui dizendo que ‘‘esses pequenos erros podem se transformar num grande problema, acarretanto altos custos para os moradores, que sempre acabam pagando a conta’’.
E nesta conta estão somados ainda outros itens que concentram os maiores gastos em condomínios: as contas de água e luz, que correspondem em média a 26% das despesas totais; a manutenção de elevadores, em geral, por 7% das despesas; a compra de material de limpeza, 5%; o seguro contra incêndio, 2%; a taxa da empresa administradora, 5%; e outras despesas, 5%. Como a folha de pessoal compromete, no mínimo, a metade da receita, Carlos Luciani recomenda aos proprietários e inquilinos que observem se os funcionários do edifício estão prestando um bom serviço, se há necessidade de treinamento e melhorias e se o zelador está cumprindo seu papel.
Ele calcula que é possível cortar de 30% a 40% dos gastos com pessoal com as seguintes providências: oferecer aos funcionários do edifício salários compatíveis com a média de mercado é a primeira providência’’. Em seguida, proibir que os funcionários trabalhem no dia de folga, o que exige o pagamento de 100% por hora extra. Ter controle rigoroso de horas extras, pois, quanto maior o número delas, maior a base de cálculo para o pagamento de encargos sociais e direitos trabalhistas.
Não contratar o zelador para cobrir folgas e horário de almoço do porteiro, porque isso dá a ele o direito de receber acúmulo de função de 20% sobre seu salário, que é o mais alto do condomínio, e horas extras. Melhor opção é contratar o faxineiro ou um folguista (funcionário que vai substituir outros).
Evitar que o faxineiro, mesmo que seja o único, trabalhe mais de seis dias por semana e mais de sete horas e 20 minutos por dia, que é a carga horária legal. O trabalho em dia de folga não convém, porque torna obrigatório o pagamento de 100% de hora extra.

mockup